Desenvolvimento exige mais que crescimento, diz estudo
Relatório da CEPAL, OIT e PNUD aponta que só emprego de qualidade transforma expansão econômica em bem-estar social
Brasília, 16/09/2008 – A experiência brasileira mostra que crescimento econômico é necessário, mas não suficiente, para melhorar o desenvolvimento humano, afirma um relatório lançado na última semana, em Brasília, por três agências das Nações Unidas: CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), OIT (Organização Internacional do Trabalho) e PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Só o acesso a trabalho decente pode fazer a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) traduzir-se em melhoria do bem-estar social, conclui o estudo.
Intitulada Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente – A Experiência Brasileira Recente, a publicação inova ao analisar a relação entre indicadores dessas três áreas e do crescimento econômico para um único país — em geral, a literatura sobre o assunto trata de grupos de países. Os cálculos, feitos com base em dados das unidades da Federação referentes 1993, 1997, 2001 e 2005, indicam, por exemplo, grande probabilidade (99%) de haver relação positiva entre bons indicadores de educação e dois outros fatores: nível de emprego e nível de ocupação das mulheres. Existe também probabilidade (95%) de haver relação positiva entre nível de emprego e expectativa de vida (que também faz parte do IDH) e relação negativa entre expectativa de vida e excesso de horas trabalhadas.
Nos anos analisados, não houve correlação estatística significativa entre expansão do PIB e geração de emprego. “Na maior parte do período considerado, o crescimento do PIB teve pouco impacto na geração de emprego, seja em razão do ajuste das empresas a um novo contexto de concorrência, seja em virtude das alterações pontuais na legislação trabalhista”, observa o texto, ressalvando que “o resultado não é suficiente para negar que crescimento econômico favorece aumento do emprego”. (Fonte: PNUD/ Primapagina) Mais

