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UNESCO homenageia Lula com Prêmio pela Paz 2008

Em discurso, presidente defende papel crescente dos países em desenvolvimento na economia mundial

Paris, 7/7/2009 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nessa terça-feira 7 de julho, na sede da UNESCO, em Paris, o Prêmio pela Paz Felix Houphouët-Boigny 2008. A premiação, uma das mais importantes da Organização, foi entregue pelo Diretor-Geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, que anunciou a homenagem a Lula como “um reconhecimento de sua ação em favor da paz e da igualdade de direitos, bem como de suas iniciativas para a erradicação da pobreza em seu país”.

“Nenhuma outra escolha pode ilustrar melhor a filosofia do Prêmio e dos princípios fundamentais que inspiram as ações da UNESCO. O presidente Lula da Silva assume seu lugar entre os construtores da paz que o precederam nesta tribuna e tem, a partir de agora, seu nome incluído na prestigiosa lista formada ao redor do prêmio, nos últimos 20 anos”, anunciou Matsuura.

Ainda referindo-se ao presidente, o Diretor-Geral declarou: “Você tem emitido uma voz diferente sobre questões essenciais como governança internacional, divisão de benefícios do crescimento, meio-ambiente e aquecimento global”. 

Ao discursar na cerimônia, Lula falou de paz. “Construí-la exige perseverança e vigilância. Baixar nossas armas não é o suficiente. Não haverá paz real enquanto não atacarmos as raízes profundas dos conflitos, enquanto houver fome, desigualdades, desemprego e enquanto perdurar a intolerância étnica, religiosa, cultural e ideológica. A paz em nossa casa é tão importante como a ausência de guerra entre as nações”. Depois de mencionar alguns dos programas implementados por seu governo, o presidente declarou que o Brasil ainda tem um longo caminho a seguir. “Muitas expectativas ainda estão por ser cumpridas, mas os brasileiros voltaram a ficar autoconfiantes e a ter esperança no futuro.”

Lula acrescentou: “Não podemos continuar prisioneiros de paradigmas que fracassaram. A exclusão não é um fator inerente às sociedades humanas e é tampouco inevitável. Embora nem sempre explícita, a idéia dominante nas últimas décadas defendeu que o desenvolvimento só seria possível para uma pequena parte da população. [...] Todos os esforços para lutar contra a pobreza e a desigualdade eram vistos como assistencialismo ou como populismo. A história está se encarregando de desmentir estas falsas teorias”.

Em seguida, o presidente defendeu um papel crescente dos países em desenvolvimento na gestão da economia mundial. “Um mundo que seja mais democrático em tomadas de decisões que afetem a todos nós é a melhor garantia de nossa segurança coletiva, dos direitos dos mais vulneráveis e da preservação de nosso planeta”. Defendeu, também, a reforma do Conselho de Segurança da ONU e a reorganização da “arquitetura financeira global com o aumento de recursos do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial”.

“Outro desafio que devemos enfrentar energicamente é a mudança climática”, acrescentou. “Em Copenhagen, no fim do ano, devemos selar um pacto global justo e ambicioso se quisermos legar um planeta viável às futuras gerações. [...] Os países em desenvolvimento também contribuirão com a luta contra o aquecimento global”. E concluiu: “A UNESCO tem um papel importante a desempenhar no desafio de construir um mundo mais próspero, mais justo e mais democrático. [...] É na abertura que caracteriza esta Organização que será possível que temas sensíveis sejam tratados de maneira construtiva e em escala mundial. É sempre possível optar pela paz, em vez de guerra. Na democracia, em vez de tirania. Na vitória dos direitos humanos, em vez da arbitrariedade. Na igualdade social e bem-estar para todos, em vez da exploração. Estas escolhas exigem coragem, vontade política e clareza de visão. Espero que estes valores não abandonem a humanidade”.

Diversos chefes de Estado e de Governo e personalidades prestigiaram a cerimônia de entrega do Prêmio pela Paz 2008 ao presidente Lula. Entre os convidados estavam o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade; o presidente de Cabo Verde, Pedro Pires; o primeiro-ministro de Portugal, José Socrates; o secretário-geral da Organização Internacional da Francofonia, Abou Diouf; o ex-presidente de Côte d’Ivoire (Costa do Marfim), Henri Konan Bédié; e o ex-presidente de Portugal, Mário Soares. Também estiveram presentes à homenagem os presidentes da Conferência Geral da UNESCO, George N. Anastassopoulos (Grécia), e do Conselho Executivo da Organização, Olabiyi Babalola Joseph Yaï (Benin).

Manutenção da Paz

Criado em 1989, o Prêmio Felix Houphouët-Boigny homenageia anualmente pessoas, organizações e instituições que tenham contribuído significativamente para a promoção, a pesquisa, a preservação e a manutenção da paz em conformidade com a Carta das Nações Unidas e a Constituição da UNESCO. 

Entre os nomes já agraciados com a premiação estão Nelson Mandela, Yitzhak Rabin, Shimon Peres, Yasser Arafat, rei Juan Carlos da Espanha, o presidente senegalês Abdoulaye Wade e os ex-presidentes dos EUA Jimmy Carter e da Finlândia Martti Ahtisaari. Muitos dos premiados pela UNESCO receberam, posteriormente, o Nobel da Paz. 

  • Para ver trecho do discurso de Lula na UNESCO, clique aqui (em francês).

 

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