Programa L’Oréal/UNESCO Para Mulheres na Ciência premia jovens cientistas
Rio de Janeiro, 23/9/2009 – O Programa L’Oréal/UNESCO para Mulheres na Ciência, que no Brasil conta com o apoio da Academia Brasileira de Ciências (ABC), premia às 20 horas desta quarta-feira, em cerimônia no Copacabana Palace, no Rio, sete jovens cientistas. O evento terá como anfitrião o diretor-presidente da L’Oréal Brasil, François-Xavier Fenart, e contará com a presença de personalidades como a apresentadora Ana Maria Braga, a primeira-dama do Estado, Adriana Ancelmo Cabral, e a filha do médico e sanitarista Carlos Chagas, Cristina Gouvêa Vieira, que farão a entrega dos prêmios às contempladas nesta edição.
O Programa L’Oréal/UNESCO para Mulheres na Ciência, que tem como slogan “O mundo precisa de Ciência. A Ciência precisa de mulheres”, busca incentivar a presença da mulher na linha de frente do conhecimento e garantir visibilidade ao trabalho das pesquisadoras, além de oferecer condições favoráveis para a continuidade de projetos por meio do auxílio financeiro – cada cientista vencedora recebe bolsa-auxílio grant no valor de US$ 20 mil. “O Grupo L’Oréal, que este ano comemora o centenário de sua fundação, é movido por esforços constantes na busca por inovação. Acreditamos que, ao incentivar jovens pesquisadoras brasileiras, estamos impulsionando a Ciência e colaborando com o futuro do País”, declara François-Xavier Fenart, diretor-presidente da L’Oréal Brasil.
A cada ano, são distribuídas bolsas para as áreas de Ciências Biomédicas, Biológicas e da Saúde, Ciências Físicas, Ciências Matemáticas e para Ciências Químicas. Este ano, os sete trabalhos vencedores – entre os 271 inscritos – foram criteriosamente selecionados por um júri presidido por Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de Ciências, e formado por oito pesquisadores designados pela Academia, entre eles as quatro cientistas brasileiras já contempladas pelo L’Oréal/UNESCO para Mulheres na Ciência internacional – a geneticista Mayana Zatz, a física Belita Koiller, a bióloga Lúcia Previato e a astrofísica Beatriz Barbuy –, além de um representante da L’Oréal e o coordenador do Escritório da UNESCO no Rio de Janeiro, Pedro Lessa.
Desde 2006, quando foi lançado no Brasil, o Prêmio L’Oréal/UNESCO Para Mulheres na Ciência já beneficiou 23 jovens cientistas, sendo quatro menções honrosas. Entre os estudos inovadores e de grande contribuição para a Ciência e para a sociedade, estão o de Mônica Andersen, contemplado em 2007, que provou que a apneia é um dos maiores riscos para a disfunção erétil. A pesquisa mostrou que apenas na cidade de São Paulo, a quinta maior metrópole do mundo, a doença já atinge mais de 1,7 milhão de homens.
Outra pesquisa concluída com recursos da bolsa-auxílio do L’Oréal/UNESCO Para Mulheres na Ciência foi a da neurocientista gaúcha Lisiane Porciúncula, que comprovou que o cafeína auxilia a saúde mental no processo de envelhecimento – em doses recomendadas, o consumo diário pode prevenir o declínio de funções como atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem.
Conheça, a seguir, um breve perfil das cientistas e de seus respectivos estudos vencedores em 2009:
Dra. Sheila Cavalcante Caetano, 34 anos, Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (SP)
Psiquiatra com estágio em doutoramento na Universidade do Texas, EUA, Dra. Sheila recebeu, em 2004, um prêmio de auxílio para jovem pesquisador pelo NARSAD – entidade norte-americana que levanta fundos em todo o mundo para investir diretamente em pesquisas promissoras com foco em saúde mental. Atualmente é pós-doutoranda com bolsa e auxílio-pesquisa da FAPESP para o Programa de Transtorno Bipolar, pelo qual está sendo premiada pelo L’Oréal/UNESCO Para Mulheres na Ciência. Sua pesquisa, desenvolvida no ambulatório do Hospital das Clínicas da USP, estuda casos de crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos com transtorno bipolar: “50% dos transtornos começam nessa fase da vida. O tipo mais grave atinge 1% da população”, afirma a cientista.
Dra. Lea Tenenholz Grinberg, 32 anos, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (SP)
Médica patologista nascida em São Paulo, Dra. Lea acaba de concluir o pós-doutorado na Unidade de Morfologia Cerebral do Instituto de Psiquiatria da Universidade de Wuerzburg, Alemanha. Atualmente a cientista gerencia o projeto Envelhecimento Cerebral da Faculdade de Medicina da USP, com ênfase em neuropatologia do envelhecimento e demências, tema que lhe conferiu o L’Oréal/UNESCO Para Mulheres na Ciência 2009. Dra. Lea, que também dirige o Banco de Encéfalos Humanos da instituição, estudou em seu projeto o cérebro de 206 pessoas já falecidas com casos de demência.
Dra. Elysandra Figueredo, 30 anos, Departamento de Astronomia do IAG/UNESP (SP)
Com Licenciatura em Física pela Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), mestrado e doutorado em Astronomia pela Universidade de São Paulo, Dra. Elysandra é especialista em Astrofísica Estelar, atuando principalmente na formação de estrelas massivas, regiões HII e estrutura da galáxia. Seu projeto contemplado pelo Prêmio L’Oréal/UNESCO Para Mulheres na Ciência 2009 consiste na criação de um catálogo das estrelas de alta massa raras em nossa galáxia, geralmente 100 vezes mais luminosas que as outras. O objetivo do estudo é esclarecer algumas dúvidas sobre como se dá a sua formação e quais são os diferenciais e peculiaridades destes astros. Para tanto, a pesquisadora Elysandra criou uma técnica especial com a utilização de infra-vermelho para medir e avaliar a distância exata destas estrelas e delinear, da forma mais verossímil possível, os braços da Via Láctea a fim de relatar todas as suas especificidades.
Dra. Flávia Carla Meotti, 29 anos, Universidade Federal de Santa Catarina (SC)
Dra. Flávia é formada em Farmácia Bioquímica pela Universidadede Cruz Alta, no interior do Rio Grande do Sul, e mestre em Ciências Biológicas (Bioquímica Toxicológica) e doutora em BioquímicaToxicológica pela Universidade Federal de Santa Maria (RS). Finalizou ano passado o pós-doutorado em Bioquímica pela University of Otago, em Nova Zelândia.
Seu projeto contemplado pelo L’Oréal/UNESCO Para Mulheres na Ciência 2009 estuda os processos inflamatórios na bexiga que dão origem à cistite urinária. O objetivo é utilizar no tratamento deste tipo de infecção uma substância química chamada Genuxal, muito usada contra o câncer e responsável por uma reatividade que previne a proliferação de bactérias. A escolha do tema é fruto da carência de opções de tratamento das cistites urinárias.
Dra. Alexandra Zugno, 30 anos, Universidade do Extremo Sul Catarinense (Criciúma, SC)
Formada em Farmácia com habilitação em Análises Clínicas, mestre em Ciências Biológicas e doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), atualmente a Dra. Alexandra é orientadora permanente do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade do Extremo Sul Catarinense.
Sua pesquisa vencedora do Prêmio L’Oréal/UNESCO Para Mulheres na Ciência 2009 irá abordar a questão da esquizofrenia, uma doença que pode incluir uma variedade de transtornos com sintomas comportamentais similares. O termo é usado para designar um grupo de psicoses, com duração de pelo menos seis meses, nas quais ocorrem sintomas característicos como delírios, alucinações e catatonia. A prevalência estimada é em 1% a 1,5% na população mundial, sendo que apenas a metade dos portadores provavelmente se submeta a tratamento. Os pacientes esquizofrênicos ocupam cerca de 15% dos leitos em hospitais no Brasil, e a probabilidade de re-internação dentro de dois anos é de 40% a 60%.
Este projeto tem como objetivo induzir um modelo animal da doença, a fim de avaliar parâmetros comportamentais e bioquímicos, bem como verificar a reversão (ou não) dos efeitos comportamentais e bioquímicos causadas pela cetamina com haloperidol (fármaco clássico no tratamento de esquizofrenia).
Dra. Annelise Casellato, 30 anos, Universidade Federal do Rio de Janeiro (RJ)
Graduada, mestre e doutora em Química pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Dra. Annelise possui também pós-doutorado pela University of Queensland, na Austrália. Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com ênfase em Química Bio-Inorgânica, atuando principalmente na síntese, caracterização e reatividade de complexos modelos com relevância biológica.
Sua pesquisa premiada analisa o papel dos metais nos materiais biológicos utilizados em alguns pesticidas, como no combate de pragas nas plantações de tomate. O objetivo é verificar os danos causados por estes produtos e estudar seus impactos ambientais de forma a reduzi-los.
Dra. Valéria Sandrim, 31 anos, Santa Casa de Belo Horizonte (MG)
Doutora em Farmacologia pela FMRP-USP e mestre em Biotecnologia pelo IQ-UNESP, Dra. Valéria é atualmente pesquisadora da Santa Casa de Belo Horizonte, onde atua na área de Farmacologia Cardiovascular, com ênfase em Farmacogenética de anti-hipertensivos, realizando estudos clínicos e experimentais em pré-eclâmpsia.
Seu projeto tem o objetivo de avaliar as evidências de pré-eclâmpsia nas gestantes a partir de 20 semanas antes do aparecimento dos primeiros sintomas da doença. Geralmente, os sinais são problemas no fígado e convulsões que podem induzir a um parto prematuro. A ideia da pesquisa é coletar sangue a partir do 5º mês de gestação para analisar e acompanhar o risco da doença. Já foi observado que, entre 100 grávidas, o índice da doença varia entre 2% a 5%. Um número alto para um problema que não tem cura e pode gerar complicações tanto para a mãe quanto para o bebê.
Sobre o Programa L'Oréal/UNESCO Para Mulheres na Ciência
O Programa L'Oréal/UNESCO para Mulheres na Ciência foi lançado em 1998, na França, resultado de uma parceria entre o Grupo L'Oréal e a UNESCO. A iniciativa contempla, anualmente, cinco notáveis cientistas, uma por continente, com um prêmio no valor de US$ 100 mil. Em 11 anos de história, quatro cientistas brasileiras já foram premiadas: a geneticista Mayana Zatz (2001), a bióloga Lúcia Previato (2004), a física Belita Koiller (2005) e a astrofísica Beatriz Baybuy (2009). Desde 2000, o programa passou a contar com edições locais – hoje em mais de 40 países, premiando também jovens cientistas que recebem US$ 20 mil de bolsa-auxílio grant. (Fonte: Comunicação/L'Oréal)

