Você está aqui: Página Inicial Mídia Releases - UNESCO Brasil sedia Sexta Conferência Internacional de Educação de Adultos

Brasil sedia Sexta Conferência Internacional de Educação de Adultos

São Paulo, 26/2/2009 - A cidade de Belém do Pará, na Amazônia, sediará, entre os dias 19 e 22 de maio, a 6ª Conferência Internacional de Educação de Adultos da UNESCO. A CONFINTEA é uma conferência inter-governamental, realizada pela primeira vez em 1949, que conta com representantes da maioria dos 193 países-membros da Organização.

A cidade de Belém, onde se realizará a conferência, exemplifica um dos maiores desafios mundiais: a promoção do desenvolvimento humano a partir de paradigmas de sustentabilidade. A cidade revela ainda o desafio brasileiro de assegurar uma educação de qualidade para todos. A região Norte do Brasil, onde se localiza a capital do Pará, abriga significativa diversidade natural e cultural.
 
É a primeira vez que a Conferência se realiza em um país do hemisfério Sul. As cinco edições anteriores foram realizadas em Elsinore (Dinamarca, 1949), Montreal (Canadá, 1960), Tóquio (Japão, 1972), Paris (França, 1985) e Hamburgo (Alemanha, 1997).

A última Confintea, realizada em Hamburgo (1997), é considerada um marco no debate sobre educação e aprendizagem de adultos por ter estabelecido um entendimento integral sobre este processo dentro de uma visão ampla de educação ao longo da vida. Na ocasião, educação e aprendizagem de adultos foram reconhecidas como ferramentas-chave para enfrentar os atuais desafios sociais e de desenvolvimento em todo o mundo. A partir de Hamburgo, a educação de adultos foi considerada como um direito do cidadão. Um dos principais desafios da conferência de Belém é atualizar a plataforma aprovada na Alemanha, indicando caminhos para que os países a transformem em política pública com orçamento assegurado.
 
A CONFINTEA é o resultado de um amplo processo de mobilização mundial envolvendo governos, organizações não-governamentais, acadêmicos, especialistas e setor privado. As discussões se dão em dois níveis: nacional e regional.
 
No nível nacional, os países discutem internamente a situação da educação de adultos e aprovam um Relatório Nacional sobre Educação de Adultos, o que foi feito por 151 países, entre os quais o Brasil. No segundo momento, os países são agrupados em cinco regiões (África; América Latina e Caribe; Estados Árabes; Ásia e Pacífico; e Estados Unidos, Europa e Israel) para discutir o tema de uma perspectiva continental com base nos relatórios previamente elaborados pelos países. Desses encontros resultam relatórios-síntese da região que, posteriormente, serão debatidos na conferência de Belém.

Mobilização

Como o Brasil sediará a CONFINTEA VI, o Escritório da UNESCO no Brasil deu início a uma série de eventos que visam a trazer a discussão sobre educação de adultos para a pauta do país. No dia 18, foi lançado o livro Alfabeto da Esperança em uma escola de Educação de Jovens e Adultos, em Ceilândia, no Distrito Federal.

O lançamento reuniu cerca de 250 pessoas, entre representantes de ONGs locais, do poder público, gestores, alunos, professores e comunidade, além do representante da UNESCO no Brasil, Vincent Defourny, e do Secretário de Educação do Distrito Federal, José Luiz Valente. Alunos das classes de educação de jovens e adultos fizeram uma leitura interpretativa de três dos 15 textos do livro, escrito por autores de diferentes nacionalidades entre os quais chineses e brasileiros. Alguns alunos deram depoimentos sobre a importância da alfabetização e do fato de continuarem a estudar.
 
 “Este livro foi pensado para ser um porta-voz do significado e alcance da escrita e da leitura na vida das pessoas. Apesar de todos os esforços, inclusive os que a UNESCO e a comunidade internacional empreendem, existem no mundo 776 milhões de homens e mulheres de todas as culturas e idades para os quais o direito humano ao tesouro do alfabeto ainda se mostra distante”, disse Vincent Defourny.

No prefácio do livro, o Diretor-Geral da UNESCO, Koïchiro Matsuura, afirma que “o acesso a materiais de leitura, publicações apropriadas e bibliotecas é inadequado, dificultando o desenvolvimento cotidiano de habilidades de leitura e escrita das pessoas recém-alfabetizadas ou cujas habilidades de leitura e escrita são pouco desenvolvidas”. Cerca de 16% da população adulta mundial não possuem as habilidades básicas de leitura e escrita necessárias para sua participação integral na sociedade e aproximadamente dois terços deles são mulheres. A menos que as tendências atuais mudem, mais de 700 milhões de adultos ainda não saberão ler ou escrever em 2015.

A publicação do Alfabeto da Esperança faz parte da iniciativa Escritores pela Alfabetização, promovida pela UNESCO no âmbito da Década das Nações Unidas para a Alfabetização (2003 – 2012) com o objetivo de desenvolver um ambiente sustentável de alfabetização para todos. Além disso, seu lançamento inicia a agenda prévia à CONFINTEA VI.

Ações do documento