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UNESCO comemora Dia Internacional da Alfabetização

Celebração da data premia em Paris programa brasileiro e destaca importância da educação na prevenção de doenças

Brasília, 06/09/2008 – A UNESCO celebra nesta segunda-feira, dia 8, o Dia Internacional da Alfabetização com o tema “A alfabetização é o melhor remédio”. Baseada em estudos que apontam a maior vulnerabilidade do analfabeto a doenças, a mensagem tem por objetivo relacionar a melhor saúde do indivíduo com sua capacidade de ler e escrever. No Brasil, a Organização comemora a data com uma animação produzida em quatro línguas e com a realização, em Porto Alegre (RS), de um Painel sobre a experiência gaúcha na Alfabetização de Jovens e Adultos. Na sede da UNESCO, em Paris, outra experiência brasileira será lembrada: o programa da Prefeitura de Curitiba “Alfabetizando com Saúde” receberá o Prêmio de Alfabetização da Associação Internacional para a Leitura (IRA), um dos quatro prêmios internacionais de alfabetização da UNESCO.

A comemoração em Paris reconhecerá iniciativas de alfabetização que se destacaram por gerar impactos positivos na saúde pública. O Programa “Alfabetizando com Saúde” receberá prêmio de US$ 20 mil da IRA pela promoção da alfabetização como condição prévia para a educação sobre saúde e prevenção de doenças e pela qualificada colaboração prestada pelos órgãos municipais de Educação e Saúde de Curitiba. A iniciativa brasileira será reconhecida juntamente com programas da Etiópia e da África do Sul, vencedores do Prêmio UNESCO – Confúcio de Alfabetização, e da Zâmbia, que receberá o Prêmio UNESCO de Alfabetização Rei Sejong.

No Brasil, a data é lembrada por uma animação produzida pela UNESCO no Brasil com versões em português, espanhol, inglês e francês. Nela, a sociedade em geral é incentivada a ”ler o mundo para escrever o futuro”. Em Porto Alegre, o Painel Relato de uma Experiência do Rio Grande do Sul com Alfabetização de Jovens e Adultos apresentará ações do Projeto Alfabetiza Rio Grande, realizado em parceria da Secretaria Estadual de Educação do Estado com a UNESCO, entre 2003 e 2006. O projeto, que teve por objetivo combater o analfabetismo de jovens e adultos gaúchos e assegurar a eles a continuidade dos estudos, resultou na elaboração de seis publicações e no envolvimento de 36 instituições de ensino superior. Ao todo, 48.658 pessoas foram atendidas por 7.700 alfabetizadores e professores em formação.
 
Alfabetização é o melhor remédio

O tema do Dia Internacional da Alfabetização 2008 sustenta-se em dados. Diferentes estudos demonstram que as possibilidades de viver de maneira saudável estão estreitamente relacionadas com o nível de alfabetização. Uma pesquisa realizada em 32 países mostra que as mulheres com educação secundária têm cinco vezes mais possibilidades de serem informadas sobre o HIV e Aids do que as analfabetas. Outro exemplo aponta que a taxa de mortalidade infantil é maior quando a mãe não sabe ler nem escrever.

“Uma pessoa analfabeta é mais vulnerável a ter problemas de saúde e é menos provável que ela busque assistência médica para si mesma, sua família ou sua comunidade”, lembra o diretor-Geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, em mensagem divulgada para lembrar o Dia. “A alfabetização é o melhor remédio para combater ameaças à saúde por ter a capacidade de promover uma melhor nutrição, prevenção e tratamento de doenças.”

Avanços

Hoje, aproximadamente 774 milhões de pessoas, isto é, ao menos um de cada cinco adultos no mundo, não sabe ler nem escrever e 75 milhões de crianças estão excluídas do sistema escolar. Nesse contexto, muitos países serão incapazes de alcançar o objetivo de melhorar em 50% a taxa de alfabetização dos adultos até 2015. Este é um dos seis objetivos da Educação para Todos (APT) que diversos países se propuseram a cumprir no Foro Mundial sobre a Educação, realizado em 2000, em Dakar (Senegal).

Apesar disso, avanços significativos têm sido alcançados. Nos últimos anos, o número de adultos analfabetos caiu de 871 milhões (período de 1985 a 1994) para 776 milhões (2000/2006). Desta forma, a taxa geral de alfabetização alcançou 84% contra 76%, no período anterior. Segundo o Instituto de Estatística da UNESCO (UIS), estima-se que a média de alfabetização alcance 90% em 2015.

A mudança nas porcentagens deve se relativizar em países com alto crescimento demográfico, pois não indicam necessariamente uma diminuição do número de analfabetos. Na África Subsaariana, por exemplo, a taxa de alfabetização aumentou 8%. Ao mesmo tempo, porém, o número de adultos analfabetos cresceu de 133 milhões para 163 milhões de pessoas.  

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