Países de língua portuguesa discutem cooperação no combate ao analfabetismo
26/02/2008
Salvador - Representantes e especialistas em educação de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste se reúnem, de 26 a 29 de fevereiro, na capital baiana, para debater as experiências de cada país em ações para redução do analfabetismo. Os sete países integram, junto com Portugal, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A II Oficina de Cooperação Sul-Sul entre Países de Língua Portuguesa no Campo da Educação de Jovens e Adultos, que começa hoje, às 14h, no Hotel Blue Tree Rio Vermelho, é promovida pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC).
O Representante da UNESCO no Brasil, Vincent Defourny, comporá a Mesa de Abertura da Oficina ao lado de embaixadores, técnicos e autoridades da área de educação. Os quatro dias do encontro são destinados a atualizar informações sobre as atividades e os programas de Educação para Jovens e Adultos já em andamento em cada país e a promover o intercâmbio entre especialistas que trabalham pela erradicação do analfabetismo em seus Estados de origem. Também será estabelecido um novo plano com calendário e ações a serem adotados por cada país em 2008 e definida a pauta e a data da terceira edição da Oficina, em Cabo Verde. No primeiro dia da Oficina, a palestra "Ao Sul da Lusofonia" fará um recuo histórico sobre a cooperação cultural entre os países africanos e o Estado da Bahia e o Brasil.
Na quarta-feira (27), os participantes acompanharão uma apresentação sobre a VI Conferência Internacional de Educação de Adultos (CONFINTEA). A exposição, que antecederá as discussões sobre uma agenda comum para o encontro que será realizado no Brasil, em 2009, ficará a cargo do especialista em Educação da UNESCO no Brasil, Timothy Ireland. "A cooperação Sul/Sul é cada vez mais estratégica tanto para o desenvolvimento geral dos países de língua portuguesa como também para a educação de jovens e adultos", destaca Ireland, que também enaltece a decisão de países irmãos trabalharem juntos por uma mesma meta. "Há um desejo entre eles de cooperarem entre si e de deixar de depender dos países mais desenvolvidos. Esses países têm importantes experiências que podem ser compartilhadas, mesmo que não sejam de sucesso".
Adversidades
A importância da oficina em Salvador pode ser melhor dimensionada por meio de números referentes aos sete países que, juntos, somam 230 milhões de habitantes. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 33 milhões de analfabetos funcionais - pessoas com menos de quatro anos de estudo - e 16 milhões de pessoas com mais de 15 anos não alfabetizadas. A taxa é maior entre os mais velhos (34% têm mais de 60 anos) e também entre as pessoas com menor rendimento familiar (28% ganham até um salário mínimo).
Em Moçambique, os que não sabem ler nem escrever chegam a 52% da população. Em fase de reestruturação política após a guerra civil, a Guiné-Bissau vive um quadro ainda mais adverso: dados do Ministério da Educação Nacional apontam, em algumas regiões do país, um índice de analfabetismo médio de 63% - na capital, Bissau, o percentual é de 48%. No arquipélago de Cabo Verde, onde o crioulo é mais falado, o problema atinge 25% da população. Angola apresenta 58,3% da população analfabeta; São Tomé e Príncipe, 20%. Na pequena ilha de Timor-Leste, 40% dos 800 mil habitantes também não tiveram acesso à sala de aula.

