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Dia Mundial dos Professores 2008: faltam 18 milhões de docentes

Treinamento insuficiente também é deficiência séria

Paris, 2/10/2008 – Salários pouco atrativos, formação inicial e continuada insuficiente, salas de aula lotadas, condições de trabalho precárias: o Dia Mundial dos Professores, celebrado em 5 de outubro, representa um reconhecimento a uma profissão que tem papel essencial na formação de crianças, jovens e adultos. Este ano, as comemorações enfatizarão a necessidade de elaboração de políticas de valorização dos docentes, condição fundamental para garantir o atendimento, de forma sustentável, à demanda de profissionais qualificados.

A falta de professores bem formados continua sendo um problema crucial. A UNESCO estima que são necessários mais 18 milhões de professores para que a meta de Educação Primária Universal (EPU) seja atingida até 2015. Essa carência é especialmente aguda na África, onde mais 3,8 milhões de professores são necessários para que a EPU seja atingida. Em países como Ruanda e Moçambique, a falta de professores tem como conseqüência salas de aula com até 60 alunos, embora geralmente se reconheça que não se pode oferecer educação de qualidade em salas de aula com mais do que 40 alunos.

“Mesmo quando a oferta geral de professores é suficiente, áreas remotas e desfavorecidas em todo o mundo podem sofrer com problemas persistentes de contratação e retenção de professores. Essa falta de docentes qualificados é um dos maiores desafios para as metas da Educação Para Todos (EPT)”, enfatiza mensagem conjunta que celebra a data assinada pelo Diretor-Geral da UNESCO, Koichiro Matsuura; pelo diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavia; pela diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Ann M. Veneman; pelo administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Kemal Dervis; e pelo presidente da Educação Internacional (EI), Thulas Nxesi.

A quantidade não é o único problema. A formação insuficiente representa outra séria deficiência. Segundo o Instituto de Estatísticas da UNESCO (UIS), em países em desenvolvimento é comum a contratação de professores que não possuem educação superior. Para melhorar este quadro, somente políticas consistentes podem promover a contratação de professores em quantidade suficiente, garantir condições de trabalho adequadas e formação com qualidade. Como resultado da Iniciativa da UNESCO de Formação de Professores na África Subsaariana (TTISA), o Congo teve a oportunidade de elaborar uma política geral para professores voltada não apenas ao aumento do número de docentes mas que trata também de questões como a situação profissional, as condições de trabalho e a gestão do trabalho dos professores.

Essas questões serão abordadas nesta sexta-feira, 3 de outubro, na sede da UNESCO, em Paris, em mesa redonda que será aberta pelo Diretor-Geral da Organização e que contará com palestras de professores e especialistas de diversas partes do mundo. Representantes de organizações parceiras (OIT, UNICEF, PNUD e EI) também integrarão uma mesa de discussão que será moderada pelo Diretor-Geral Adjunto da UNESCO para a Educação, Nicholas Burnett.

O Dia Mundial dos Professores enfatiza a importância das Recomendações de 1966 da OIT/UNESCO em relação à situação profissional dos docentes. Outra recomendação referente à situação dos docentes do ensino superior foi aprovada em 1997. Ambas estabeleceram diretrizes que norteiam a formação e as condições de trabalho dos professores, a participação deles e de seus representantes em decisões educacionais e as medidas que devem ser tomadas em cada país para a qualificação de profissionais e para a construção de ambientes de ensino e aprendizagem adequados. Estes dois textos são os únicos instrumentos normativos existentes, em nível internacional, com relação a esse tema.

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