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Conferência da UNESCO defende financiamento da educação

Ministros que participaram de encontro mundial na Suíça pedem manutenção de recursos durante crise financeira

Genebra, 02/12/2008 – A crise financeira global não deve ser usada como justificativa para cortes no financiamento da educação, concluíram ministros e representantes de 153 países que participaram da 48ª Sessão da Conferência Internacional de Educação da UNESCO, realizada na última semana, na Suíça. O Representante da UNESCO do Brasil, Vincent Defourny, também esteve presente à Conferência, encerrada na última sexta-feira.

O tema do encontro, que se estendeu por toda a semana, foi “Educação Inclusiva: O Caminho para o Futuro”. As discussões focaram sobre os caminhos para se prover educação às centenas de milhões de pessoas em todo o mundo que contam com pouco ou nenhum acesso a salas de aula.

Integram o contingente excluído da educação 75 milhões de crianças atualmente fora da escola. Mais da metade delas são mulheres e um terço tem algum tipo de deficiência. A maioria vive na pobreza, em comunidades isoladas ou favelas urbanas. Muitas trabalham e outras pertencem a grupos indígenas e minorias lingüísticas ou vivem em situações de conflito ou pós-conflito.

Os excluídos também totalizam 776 milhões de adultos sem alfabetização básica e jovens de países desenvolvidos e em desenvolvimento que abandonam a escola ou vivem sem qualificação especial.

Os participantes da conferência expressaram preocupação particular sobre o potencial impacto da crise financeira global sobre essas populações. A crise, segundo alertaram, “terá impacto desproporcional sobre os pobres, grupo que tem a menor responsabilidade sobre esses eventos”.

Eles ressaltaram, também, que a educação é fundamental para reduzir a pobreza e melhorar a saúde e a subsistência. Na atual situação econômica, disseram, oferecer educação de qualidade voltada às diferentes necessidades de todos os estudantes tornou-se ainda mais urgente. “Financiamento para a educação deve ser prioridade máxima e (...) a crise financeira não deve servir de justificativa para que se diminua a destinação de recursos à educação, tanto em nível nacional como internacional.”

Em suas conclusões finais, ministros, especialistas em educação e representantes da sociedade civil propuseram passos concretos que os governos devem dar para aperfeiçoarem seus sistemas de educação e superarem os principais obstáculos à inclusão, como a forma em que as escolas são organizadas, a falta de articulação entre políticas educacionais e políticas sociais e atitudes e opiniões.

Esses passos incluem o desenvolvimento de políticas que permitam que grupos excluídos tenham acesso a educação regular; a promoção da diversidade cultural e lingüística como valioso recurso; a intensificação do uso de tecnologias da informação e comunicação; maior participação dos interessados nos processos de decisão; o fornecimento a professores de capacidades e materiais necessários para a educação de diferentes grupos; e o incentivo a pesquisas inovadoras em ensino e aprendizagem.

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