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Concerto lança campanha contra violência de gênero

Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional comemora Dia Internacional da Mulher na Sala Villa-Lobos

Brasília, 11/03/2008 - Autoridades governamentais, parlamentares, personalidades do cenário cultural, ativistas e líderes de várias esferas da sociedade se reúnem hoje em Brasília para lançar a Campanha do Laço Branco 2008 - Homens por uma cultura sem violência contra a mulher. O lançamento acontece durante concerto da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, como parte das comemorações ao Dia Internacional da Mulher e da recente escolha de Brasília como Capital Americana da Cultura.
 
Sob a regência do Maestro Ira Levin e com a participação do internacionalmente conhecido pianista Adriano Jordão, o concerto acontece a partir das 20h, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. O evento será gratuito e aberto ao público.
 
Durante o concerto, a Orquestra Sinfônica e todos os presentes usarão o Laço Branco, marcando o início das atividades deste ano da Campanha do Laço Branco no Brasil para mobilização de homens contra a violência de gênero. Estão confirmadas as presenças dos Ministros Nelson Jobim (Defesa) e José Gomes Temporão (Saúde), além da Ministra Nilcéa Freire (Políticas para Mulheres).

A iniciativa conta com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura do DF e é organizada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e por instituições que integram a Rede de Homens pela Equidade de Gênero (Instituto Papai e Instituto Promundo), em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, a Coordenação do Sistema das Nações Unidas no Brasil, OPAS/OMS, UNESCO, UNIFEM, Instituto Camões, Governo do Canadá, White Ribbon Campaign Canada e Kinross Canada.


Dados
 
Cerca de 30 estudos no mundo, muitos deles na América Latina, apontam que, entre as mulheres entrevistadas, de 20 a 50% afirmaram que foram vítimas de violência física exercida por seu parceiro. No Brasil, cerca de 300.000 mulheres relatam ser vítimas da violência de seus maridos ou companheiros a cada ano.
 
Mais da metade de todas as mulheres assassinadas no Brasil foram mortas por seus parceiros íntimos. Além disso, 20% das mulheres adultas brasileiras sofrem violência do marido ou companheiro a cada ano. Estudo em bairros de classe média do Rio de Janeiro registrou que quase 13% das mulheres admitiram ter sofrido violência de um parceiro íntimo em 1999.
 
Pesquisa realizada com homens de classe média e classes populares de 15-59 anos no Rio de Janeiro em 2002 mostrou que quase 26% dos homens entrevistados relataram ter utilizado violência física contra a parceira atual ou mais recente. E 45% dos homens relataram haver visto ou presenciado violência física de um homem contra uma mulher na sua família de origem quando crianças.
 
De acordo com a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), a violência contra a mulher inclui qualquer agressão física, violação sexual, psicológica, moral ou patrimonial cometida contra pessoas do sexo feminino. A lei se aplica a qualquer relação de afeto, na qual o homem conviva ou tenha convivido com a mulher, mesmo que não tenham morado juntos.
 
Para a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, esta lei reafirma o compromisso do governo brasileiro com a questão da violência contra a mulher e fortalece as ações que vêm sendo desenvolvidas pela Campanha do Laço Branco em todo o país." A violência contra a mulher é um problema também para os homens, sendo necessário o engajamento de todas/os em ações pelo fim desta violência", disse.
 

Campanha
 
No Brasil, a Campanha do Laço Branco foi iniciada em 1999, sob coordenação da Rede de Homens pela Eqüidade de Gênero (RHEG), que reúne organizações não governamentais e núcleos acadêmicos que atuam na promoção de uma sociedade mais justa, na qual homens e mulheres tenham os mesmos direitos.
 
O movimento, que luta pelo fim da violência contra a mulher, elegeu o laço branco como símbolo e adotou como lema "jamais cometer um ato violento contra as mulheres e não fechar os olhos frente a essa violência", iniciando a White Ribbon Campaign, ou, em português, Campanha do Laço Branco. A campanha surgiu originalmente em 1991, como reação da sociedade canadense ao assassinato de 14 mulheres, dois anos antes, na cidade de Montreal.
 
Segundo Relatório das Nações Unidas editado em 2006 com a colaboração do UNFPA, a violência contra mulheres persiste em todas as regiões do mundo como uma violação disseminada dos direitos humanos e um dos principais impedimentos para se alcançar a igualdade de gênero. Para enfrentar o problema, em fevereiro de 2008, o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lançou uma campanha global que reúne as Nações Unidas, governos e sociedade civil para tentar pôr um fim à violência contra as mulheres, afirmando que esta é uma questão que "não pode esperar". "Existe uma verdade universal aplicável a todos os países, culturas e comunidades: a violência contra mulheres nunca é aceitável, desculpável ou tolerável", disse o Secretário-Geral.
 

Personalidades
 
No Brasil, várias personalidades de renome do mundo artístico já aderiram à Campanha, incluindo Wagner Moura, Lázaro Ramos, Bruno Garcia, Lúcio Mauro Filho, o jogador Raí e o cantor Lobão. O concerto de 11 de março soma artistas da cena musical brasiliense a esse rol de apoiadores da campanha.
 
Este ano a campanha está mobilizando, também, líderes de vários setores da sociedade brasileira, incluindo autoridades governamentais, representantes do setor privado, parlamentares, membros do Judiciário, diplomatas, líderes religiosos e conta, ainda, com duas adesões de peso do cenário cultural internacional. Trata-se do maestro Ira Levin e do pianista Adriano Jordão, que acreditam ser esta uma oportunidade ímpar para expor publicamente seu apoio a uma ação de importância cultural em seu sentido mais amplo.
 
Os organizadores da Campanha no Brasil acreditam que o "antídoto" para a violência de gênero é a afirmação dos direitos humanos e a desconstrução do modelo machista em nossa sociedade. "É preciso, por um lado, rever os processos de socialização infantil e, por outro, entender que nem todo homem é violento e que muitos são aqueles que condenam a violência contra a mulher. Neste sentido, a participação de personalidades públicas certamente potencializa o impacto das mensagens da campanha", afirmou Benedito Medrado, do Instituto Papai.
 
Segundo afirmou o pianista português Adriano Jordão, ganhador de várias competições artísticas e com carreira internacional sólida, "temos que levantar esta bandeira e pôr um fim à violência contra as mulheres em todo o mundo". "Pessoalmente mobilizarei todos os meus colegas para que se juntem a nós nesta luta pacífica", disse. 

Serviço

ORQUESTRA SINFÔNICA DO TEATRO NACIONAL CLAUDIO SANTORO
 
Lançamento da Campanha do Laço Branco 2008 - Homens por uma cultura sem violência contra a mulher
 
 P R O G R A M A
 
Hector Berlioz (1803-1869)
Abertura Béatrice et Bénédict
Ludwig van Beethoven(1770-1827)
Concerto para piano e orquestra nº.1, em Dó Maior, op.15
I - Allegro con brio
II - Largo
III- Rondo (Allegro scherzando)
 
Solista: Adriano Jordão
 
 I N T E R V A L O
 
Carl Nielsen (1865-1931)
Sinfonia nº. 3, "Expansiva", op. 27
I - Allegro espansivo
II- Andante pastorale
III-Allegretto un poco
IV- Finale
Soprano: Denise Tavares - Tenor: André Vidal
 
Regência: IRA LEVIN - maestro titular da OSTNCS
Terça, 11 de março de 2008, às 20h
Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional - Brasília, DF

Fonte: UNFPA

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