Comissão da Universidade de Integração Latino-Americana toma posse
06/03/2008
Brasília - A Comissão de Implementação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), instituição pioneira que será instalada em 2009, em Foz do Iguaçu (PR), tomou posse esta manhã (06/03/2008), no Ministério da Educação, em cerimônia acompanhada pelo ministro Fernando Haddad, autoridades, acadêmicos e especialistas em educação. A posse marca o início oficial das atividades do grupo que será responsável pelo planejamento institucional e pela organização da estrutura acadêmica e curricular da futura universidade.
Em seu pronunciamento na cerimônia, Haddad manifestou o comprometimento do Ministério da Educação com as atividades do grupo e sintetizou a expectativa de todos com o resultado dos trabalhos da Comissão. "Queremos uma instituição com corpo docente e discente do continente e que pense o continente", disse. "Nosso objetivo é pensar um modelo novo de universidade, talvez dar um exemplo ao mundo com a promoção da integração pelo conhecimento."
O presidente da Comissão, Hélgio Trindade, titular de Ciências Políticas e ex-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), interpretou a posse como um momento novo e relevante no processo de integração regional e de expansão da universidade pública brasileira. A diversificação territorial do sistema federal de ensino, a interiorização da educação superior e a integração da América Latina pelo conhecimento integram o que ele chamou de "tríplice movimento estratégico". Tais perspectivas já seriam perceptíveis na sociedade acadêmica. "A proposta está tendo uma receptividade extremamente promissora entre autoridades governamentais, dirigentes universitários, professores e estudantes latino-americanos", assegurou.
UNESCO
A participação efetiva da UNESCO na Comissão será uma valiosa oportunidade para que teses e valores da Organização sejam incorporados na filosofia da nova universidade. A visão, do assessor Especial da UNESCO no Brasil e integrante da Comissão, Célio da Cunha, considera o conhecimento como ferramenta facilitadora e primordial para o entendimento entre as diferenças. "A valorização da diversidade, o combate à discriminação, a cultura da paz, a tolerância e a solidariedade são exemplos da nova mentalidade que se reivindica para o século XXI". O conselheiro Alessandro Candeas, do Ministério das Relações Exteriores, também integrante do grupo, vê na mudança de mentalidade a chave para a aproximação dos países latino-americanos. "Considero a Unila um empreendimento histórico, com um objetivo da maior importância, que é o da construção de uma mentalidade de integração regional a partir da formação de recursos humanos de nível superior."
Segundo Candeas, a Unila também poderá abrir espaço para novas abordagens de ensino. "Aprendemos, na escola, a História e a Geografia da diferenciação. O Brasil é diferente dos vizinhos. Ora, uma mentalidade da integração deve abranger o ensino, não da diferenciação, mas da convergência: o que temos de comum na História e na Geografia". Outra contribuição da universidade seria a oportunidade de se pensar o mundo a partir de uma ótica própria, regional. Para esses avanços, o conselheiro sugere o estabelecimento de uma relação estreita da Unila com as academias diplomáticas da região, a começar pelo Instituto Rio-Branco, do Brasil. "Seria interessante se professores e alunos dessas instituições pudessem manter intercâmbio e realizar atividades e pesquisas conjuntas", projeta.
Após a realização de encontros esta semana, a Comissão de Implementação da Unila volta a se reunir no dia 31 de março, em Foz do Iguaçu. A expectativa do grupo é que a universidade inicie suas atividades no segundo semestre de 2009, em terreno já cedido pela Itaipu Binacional. Uma vez em pleno funcionamento, a Unila deverá contar com dez mil alunos e 500 professores, sendo metade dos estudantes e dos educadores originários do Brasil.
Criado em janeiro deste ano por meio de Portaria da Presidência da República, o grupo que implementará a Unila é formado por acadêmicos e especialistas envolvidos com a integração regional da América Latina e com a educação de nível superior. Além de Hélgio Trindade, Célio da Cunha e Alessandro Candeas, também integram a Comissão Carlos Roberto Antunes dos Santos, Marcos Ferreira da Costa Lima, Mercedes Maria Canepa, Gerónimo de Sierra, Ingrid Sarti, Paulino Motter, Rafael Perseghini Del Sarto, Ricardo Brisolla Balestreri, Paulo Mayall Guilayn e Stela Meneghel.

