AfroReggae comemora aniversário e Direitos Humanos
Realizado em parceria com a Representação da UNESCO no Brasil, evento no Rio reuniu 2,5 mil pessoas no Teatro Municipal
Rio de Janeiro, 27/06/2008 - A Declaração dos Direitos Humanos, que completa 60 anos este ano, foi o tema do prêmio Orilaxé, promovido pelo Grupo Cultural AfroReggae, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no último dia 25. A premiação, que está na sua 9ª versão, comemorou os 15 anos da ONG que atua nas favelas cariocas de Vigário Geral, Parada de Lucas, Complexo do Alemão e Cantagalo e exporta sua tecnologia de trabalho com a juventude para Índia, China, Inglaterra, Alemanha e Colômbia.
O Prémio Orilaxé 2008, que no dialeto iorubá quer dizer "cabeça que tem poder de transformação", é uma realização da Representação da UNESCO no Brasil e do AfroReaggae.
A escolha da Declaração dos Direitos Humanos como tema da festa, que reuniu 2,5 mil pessoas, mostra que, 60 anos depois da sua promulgação, o texto é mais atual do que nunca. Em um mundo marcado pela desigualdade, que tem como expoentes a pobreza e a discriminação das minorias, seus valores defendem direito a uma vida digna para todos e a liberdade de expressão. Esta foi a primeira vez que o AfroReaggae, cuja banda-show já percorreu a Europa e tocou com cantores como Caetano Veloso e Marisa Monte, se apresentou no Municipal do Rio, considerado um dos palcos mais nobres da cultura brasileira.
"Há alguns anos seria impossível pensar que aqui, neste teatro, teríamos a oportunidade de reunir artistas e público de todas as raças e credos", disse o rapper Marcelo Silva, um dos apresentadores do evento. "O trabalho que o AfroReggae vem desenvolvendo em comunidades marcadas pela exclusão e pela violência é uma forma de dar concretude à Declaração dos Direitos Humanos", afirma Marlova Jovchelovitch Noleto, coordenadora do Setor de Ciências Humanas e Sociais da UNESCO no Brasil. Noleto ressalta que a "invasão" da cultura afro-brasileira no Teatro Municipal, templo das manifestações eruditas e predominantemente brancas, tem uma forte sintonia com o mandato da UNESCO e com os valores defendidos pela Organização. "É importante ter uma dimensão cotidiana da Declaração dos Direitos Humanos", diz José Junior, diretor-executivo do AfroReggae.
Imagine
A diversidade deu o tom de toda a cerimônia de apresentação. Seu ápice foi um show que reuniu a banda de metais da Polícia Militar, um grupo musical Hare Krishna e a banda-show do AfroReaggae para cantar a música "Imagine", de John Lennon, um dos hinos da Cultura de Paz em todo o mundo.
Neste ano, 15 pessoas de diversas regiões do país foram premiadas e igual número recebeu homenagem pela contribuição na trajetória da ONG. Veja a relação de premiados e homenageados com uma estatueta com o rosto de 15 crianças:
Premiados: Amélia Gonzáles (Categoria Jornalismo); Canal Motoboy (Veículo de Comunicação); Berg Silva (Fotografia); Siba e a Fuloresta (Grupo Musical); Rappin Hood (Cantor); Roberta Sá (Cantora); Mestre Felipe (Cultura Popular); Jornal Irohín (Produção de Conhecimento); Mercedes Batista (Tradição Afro-Brasileira); Banco Palmas (Projeto Social); Fundação Casa Grande com o projeto Memorial do Homem Kariri (Empreendedorismo Social); João Tancredo (Direitos Humanos); Ministério da Cultura com o projeto Cultura Viva (Inovação Social) e Carlos Minc (Políticas Públicas).

