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III Mostra SPE se firma como espaço de debates sobre prevenção nas escolas

UNESCO apresenta proposta de sistema de monitoramento e avaliação

O primeiro dia de atividades (24.06.2008) da III Mostra Nacional Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) movimentou o Centro de Convenções da UFSC, em Florianópolis, com oficinas, palestras e apresentações de trabalhos desenvolvidos nos estados. Na abertura da Mostra, com a presença de autoridades, especialistas, professores e estudantes, foi destacada a importância da integração dos setores de educação e saúde para o sucesso do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, hoje presente em municípios de todos os estados do País.

O projeto tem por objetivo a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e aids nas escolas públicas, e é uma parceria dos ministérios da Educação e da Saúde com a UNESCO, UNICEF e UNFPA.

As atividades começaram no dia anterior à abertura da III Mostra SPE, 23/06, quando especialistas da UNESCO no Brasil apresentaram, aos profissionais e gestores do projeto nos estados, uma proposta de construção de sistema de monitoramento e avaliação. "Apresentamos àqueles que trabalham no projeto uma proposta que foi muito bem aceita porque será um instrumento de trabalho para os próprios profissionais. E ainda estamos levando de volta sugestões deles para aperfeiçoarmos ainda mais o sistema", explica Maria Rebeca Otero, oficial de projeto e responsável pela área de educação preventiva da UNESCO no Brasil.

Para Maria Cecília Fernandes de Souza, professora da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, estado que reúne nove pólos do projeto e é exemplo de boa experiência em gestão estadual, a proposta da UNESCO veio em um momento em que realmente ela é necessária. "Precisamos atentar para a avaliação e monitoramento para que possamos ter parâmetros que viabilizem a continuidade desse projeto e que isso nos leve à institucionalização por parte dos estados participantes", disse a professora. Ela lembrou a atuação do escritório da Organização no Rio de Janeiro foi fundamental para o desenho inter-institucional do projeto e para seu desenvolvimento e ampliação, "além da credibilidade que a UNESCO dá ao projeto", disse.

O município de Curitiba também desenvolve um trabalho de referência na prevenção das DST/Aids nas escolas e foi um dos primeiros a aderir ao SPE. Embora o Paraná seja o único estado do País que não está integrado ao projeto, o município da capital tem conseguido expandir cada vez mais o trabalho de prevenção nas escolas, segundo Júlia Valéria Ferreira Cordelini, gestora do SPE no município e servidora da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba. "Começamos como piloto em maio de 2003 e fomos implementando ano a ano. Logo percebemos a agregação de parceiros importantes e o crescimento conjunto das ações da saúde e da educação", relembra. "Depois, com o fortalecimento da participação juvenil, que é um eixo importantíssimo do projeto, e com a chegada do jovem guia formador, veio um processo de crescimento constante que segue até hoje".

Estigma a preconceito

Uma das oficinas mais concorridas do período da manhã de terça-feira foi "Professores/as: Superando estigma e discriminação nas escolas", dada por Mariana Braga, da UNESCO no Brasil e Maria Adrião, da ONG Ecos-Comunicação em Sexualidade. A primeira atividade da oficina foi a simulação de uma festa, onde os participantes tinham colado às costas rótulos de estereótipos com os quais convivemos na sociedade, sem saber quais eram esses rótulos. Os demais deveriam comportar-se de acordo com o rótulo, simulando cenas de discriminação e preconceito. O sucesso da oficina foi grande e reuniu cerca de 70 pessoas em um espaço onde eram esperadas, inicialmente, 30 inscritos.

"No final da festa, cada pessoa disse se tinha descoberto o seu rótulo e como se sentiu. Discutimos então sobre são as relações de estigma e preconceito que se estabelecem dentro da escola", explica Mariana Braga. "Nosso trabalho foi orientar, quando percebemos cenas de discriminação, como podemos reverter a situação, e como o professor pode orientar seus alunos a mudar isso", explica ela. Para Maria Adrião, "é necessário que existam mais espaços como este para que as pessoas possam falar e se manifestar. Aqui tínhamos jovens, profissionais da saúde, profissionais da educação, representação do país inteiro e de outros três países: Trinidad e Tobago, Barbados e Guiné Bissau".

Cooperação com países africanos

A relação do Brasil com países africanos de língua portuguesa que sofrem com os efeitos da epidemia de aids também foi tema da III Mostra SPE. O assunto foi apresentado por Mário Angelo Silva, da Universidade de Brasília e Maria Receba Otero, da UNESCO no Brasil. Foi debatida a qualidade da cooperação brasileira na África.
 
Rebeca fez um relato sobre o fortalecimento do sistema educativo em países africanos de língua portuguesa e o intercâmbio de experiências da UNESCO no Brasil com esses países. "Esse trabalho de cooperação com os países de língua portuguesa tem  dois principais eixos: forte empenho para mobilizar o setor de educação para alcançar o objetivo de Educação para Todos e atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, e possibilitar apoio para fortalecer os países a oferecerem  acesso universal à prevenção, assistência, tratamento para o HIV/Aids" explica Rebeca.

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