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“Urgência” marca encontro de Grupo de Alto Nível sobre EPT

Paris, 15/12/2008 – No contexto da crise financeira global, ministros da Educação e do Desenvolvimento, líderes de agências bilaterais e multilaterais e representantes da sociedade civil se reúnem esta semana em Oslo, na Noruega, nos dias 16 e 17, para propor estratégias que acelerem avanços na oferta de uma educação de qualidade para todos até 2015.

Organizado pela UNESCO e sediado pelo Governo da Noruega, o 8º Encontro do Grupo de Alto Nível sobre Educação para Todos será aberto na sede da Prefeitura de Oslo pelo Diretor-Geral da UNESCO, Koïchiro Matsuura. Também estarão presentes na abertura o primeiro ministro da Noruega, Jens Stoltenberg; a rainha Rania, da Jordânia; o príncipe herdeiro Haakon, da Noruega; e o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade. Na ocasião, será apresentado um vídeo com mensagem do Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

Os participantes debaterão os meios de superação das desigualdades com uso da educação como ferramenta de mudança. Um debate sobre o tema será iniciado imediatamente após a cerimônia de abertura do encontro com a participação do co-fundador e diretor executivo do Instituto da Ásia Central, Greg Mortenson, também autor do best-selling “Three Cups of Tea: One Man’s Mission to Promote Peace… One School at a Time” (Três Xícaras de Chá: A Missão de um Homem para Promover a Paz... uma Escola por Vez), e Craig Barrett, presidente do Conselho da Intel Corporation. O debate será transmitido pela página www.regjeringen.no

Nas sessões do dia 17, os ministros abordarão questões de governança e de compromisso político para a promoção da igualdade, da educação de meninas, do recrutamento e remuneração de professores e do financiamento do Educação para Todos.

Desigualdades

Segundo o Relatório de Monitoramento Global do Educação pra Todos 2009, publicado recentemente pela UNESCO, uma em cada três crianças de países em desenvolvimento (193 milhões, no total) atinge a escola primária com o desenvolvimento do cérebro e as perspectivas de educação prejudicados pela má nutrição. Em regiões do sul da Ásia, esse número ultrapassa os 40%.

O Relatório também aponta que 75 milhões de crianças com idade própria à educação primária não estão na escola – na África Subsaariana, a exclusão atinge quase um terço delas. Revela, ainda, que enquanto mais de um terço das crianças em países ricos completam a universidade, em boa parte da África Subsaariana um número menor completa a educação primária e apenas 5% freqüentam universidade.

As disparidades nacionais espelham as desigualdades globais. Crianças entre os 20% mais pobres de países como Etiópia, Mali e Níger têm três vezes menos chance de estar na escola primária do que crianças oriundas dos 20% mais ricos. No Peru e nas Filipinas, crianças pertencentes aos 20% mais pobres recebem cinco anos de educação a menos que crianças das famílias mais ricas. 

A riqueza não é a única referência de desvantagens. Meninas ainda são negligenciadas na educação. As lacunas entre matrículas de homens e mulheres permanecem profundas em boa parte do Sul da Ásia e da África Subsaariana. Desvantagens baseadas na língua, na raça e na etnia e diferenças entre o urbano e o rural também se mantêm fortemente enraizadas. No Senegal, crianças de áreas urbanas têm duas vezes mais chances de estar na escola do que as de zonas rurais.

“Esperamos que o Grupo de Alto Nível galvanise apoio em favor de uma educação de qualidade para todos, em especial aos mais pobres e marginalizados”, disse Matsuura. “Oportunidades desiguais para educação alimentam a pobreza, a fome, a mortalidade infantil e reduzem as perspectivas de crescimento econômico. Esse é o motivo pelo qual os governos devem agir com um maior senso de urgência.”

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