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Sexualidade dos jovens do Distrito Federal é pesquisada pela UNESCO

Brasília, DF - A UNESCO no Brasil lança nesta segunda-feira (08/03/2004), às 11h, no Auditório do Ministério da Educação, em Brasília, um estudo sobre juventudes e sexualidade, realizado em 13 capitais (Belém, Cuiabá, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Maceió, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória) e no Distrito Federal.

A pesquisa foi viabilizada em parceria com os Ministérios da Educação e da Saúde, Coordenação de DST/AIDS, Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e Instituto Ayrton Senna. A coordenação é de Mary Garcia Castro, pesquisadora da UNESCO, Miriam Abramovay, professora da Universidade Católica de Brasília e vice-coordenadora do Observatório de Violência nas Escolas-Brasil e Lorena Bernadete da Silva, consultora da UNESCO.

O estudo combina distintos caminhos de pesquisa: o primeiro, quantitativo, consistiu na aplicação de questionários a 16.422 estudantes de 10 a 24 anos (que representam um universo de 4,6 milhões de alunos), sendo 53,3% do sexo feminino. Também foram aplicados questionários a 4.532 pais e a 3.099 professores de escolas de ensino fundamental e de ensino médio.

Ele abrange distintas dimensões da vida sexual dos jovens, tais como: iniciação sexual; posturas frente à virgindade; relações afetivo-sexuais como o "ficar" e o namorar; intensidade e precocidade da vida sexual; valores sobre fidelidade; conhecimento dos jovens sobre métodos anticoncepcionais e de prevenção da gravidez; negociações travadas entre os jovens sobre o uso desses métodos; gravidez juvenil; aborto; diálogos com adultos sobre sexualidade; tipos de violência como assédio, estupro e homofobia; visões sobre como a escola trata a sexualidade.

Sobre a iniciação sexual , a pesquisa mostra que a idade média da primeira relação sexual é mais baixa entre os alunos do sexo masculino: varia de 13,9 a 14,5 anos entre os jovens, enquanto entre as estudantes do sexo feminino, a idade média é de 15,2 a 16 anos.

A pesquisa indica que, apesar da precocidade da vida sexual, os jovens tendem a ter contatos com apenas um parceiro, o que leva a um questionamento sobre a idéia de "promiscuidade" sexual juvenil. Em média, cerca de 70% dos adolescentes, de diferentes idades, afirmam que só tiveram relação sexual com um parceiro. Na maioria das capitais, 80% recusam a perspectiva da existência do amor sem fidelidade. E mais de um terço deles acreditam que seus parceiros fazem sexo apenas com eles.

Sobre a gravidez , a maioria dos jovens afirma ter conhecimento de alunas menores de 18 anos grávidas nas escolas. O percentual varia, considerando as 14 capitais, entre 54,2% a 76,3%. Os professores confirmam tal percepção.

O percentual de jovens alunas que afirmam que já ficaram grávidas alguma vez varia entre 36,9% (Recife) a 12,2% (Florianópolis). Nota-se que esta taxa cresce à medida que aumenta a faixa etária. Mas também chama a particularmente a atenção a gravidez entre as alunas mais novas: na faixa de 10 a 14 anos, entre 33,3% e 22,2% de alunas de Fortaleza e Cuiabá, respectivamente, declararam que já ficaram grávidas alguma vez.

Quanto às conversas sobre sexo , dois terços dos pais afirmam que já falaram sobre sexo com seus filhos. Mas nota-se que cerca de um terço não dialoga sobre o tema. Segundo os alunos, a primeira conversa com os pais sobre sexualidade tende a se dar por volta dos 11 anos. Apesar disso, a percepção dos alunos é a de que muitos pais têm dificuldades de conversar sobre essas questões.

O estudo também aponta que de cada 10 jovens, 9 afirmam que usam algum método contraceptivo para evitar a gravidez. A camisinha é o método mais citado pelos jovens, com o percentual chegando a 70% (em Florianópolis), seguido da pílula anticoncepcional. É importante ressaltar, no entanto, que quando se questiona os alunos se eles normalmente usam os preservativos, de 20,2%, em Maceió, a 4,8%, em Porto Alegre, afirmam nunca tê-lo feito. Um grande número de jovens está bem informado sobre métodos preventivos em relação à gravidez e DSTs e, mesmo assim, não usa camisinha: Fortaleza e Goiânia com cerca de 50%, Vitória, Belém e Porto Alegre com cerca de 40%.

Os jovens se alinham com a posição adotada legalmente pela sociedade brasileira em relação ao aborto , justificando a prática nos casos em que ele está legalizado ou já conta com jurisprudência: gravidez decorrente de estupro; quando a vida da mãe corre perigo ou quando o bebê pode nascer com defeito ou doença. Entre 14% (Porto Alegre) e 31% (Maceió) afirmam não serem favoráveis ao aborto em nenhuma situação. Apesar disso, alguns concordam com a prática quando a mulher não quer ter o filho - entre 14%, em Goiânia, e 25%, no Rio.

Muitos jovens estão vulneráveis e já sofreram violências de várias ordens, como assédios, estupros e discriminações por conta de gênero e da opção sexual. Os percentuais de respostas afirmativas dos alunos quanto à ocorrência de estupro ou violência sexual são elevados, variando de 5%, em Vitória e Belém, a 12%, em Cuiabá. Esses dados permitem avaliar a magnitude dessas violências, considerando o trauma na vida das vítimas, o desrespeito e a ofensa.

Chama ainda atenção a postura de discriminação aos homossexuais . Cerca de um quarto dos alunos afirma que não gostaria de ter um colega homossexual. Os homens têm mais preconceito do que as mulheres. Quando perguntados se não gostariam de ter como colegas homossexuais, o percentual de respostas afirmativas varia de 45% em Vitória a 34% em Belém, para os meninos, e entre 22% em Recife a 10% no Rio de Janeiro, para as meninas.

De um lado, é registrada na pesquisa, por meio de distintos indicadores , a vulnerabilidade negativa dos jovens no campo da sexualidade, o que é um alerta sobre a necessidade e importância de políticas públicas nessa área, além de uma ação voltada para a escola. Entre os aspectos levantados estão: desconhecimento sobre ciclo reprodutivo; gravidez juvenil; abortos; falta de diálogo na família e na escola; a não-utilização de preservativos, principalmente em relações estáveis. Nesta questão em particular chama atenção, no caso das meninas, a falta de poder de negociação, em nome da afetividade.

Mas, de outro lado, nota-se que, no campo da sexualidade, as juventudes também se destacam por "vulnerabilidades positivas" , como a impulsividade, a adrenalina, o correr riscos, estímulo à criatividade, curiosidades pelas possibilidades do seu corpo e das relações com o outro, buscas, ímpeto por mudanças e construção do novo. Finalmente, também foram registrados na pesquisa questionamentos sobre estereótipos, tabus, preconceitos e a vontade de saber e construir relacionamentos mais ricos e afetuosos, atribuindo sentidos positivos para as relações.

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