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Unesco Lança Índice de Desenvolvimento Juvenil Inédito no Mundo

Brasília, DF - A UNESCO no Brasil  lança hoje (15/03/2004), às 11h, na sala 11 do Hotel Nacional, em Brasília, o livro " Relatório de Desenvolvimento Juvenil 2003 ". Utilizando as bases de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, do Subsistema de Informações de Mortalidade, do Ministério da Saúde e do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico, do Ministério da Educação, o estudo elabora um amplo panorama da situação da juventude nas 27 Unidades da Federação (UFs) do Brasil.

A partir desse panorama, o Relatório propõe um indicador sintético das condições de vida da juventude denominado Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ), que utiliza critérios semelhantes aos do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), adaptando-os de modo a contemplar questões específicas dos jovens. Desta forma, o IDJ foi integrado pelas seguintes dimensões: educação (taxa de analfabetismo, de jovens que freqüentam o ensino médio em diante e qualidade do ensino); saúde (taxa de mortalidade por causas violentas e de mortalidade por causas internas) e renda, indicada pela renda familiar per capita dos jovens nos Estados brasileiros.

A pesquisa, elaborada por uma equipe comandada pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz , que é também coordenador do escritório da UNESCO em Pernambuco, dedicou capítulos específicos a cada uma dessas dimensões, verificando a incidência de diversos aspectos, como gênero, cor/raça, rural/urbano para compor um extenso painel dos diversos avanços e limitações no desenvolvimento humano da juventude. A proposta do estudo é monitorar e avaliar, mediante replicações periódicas do Relatório, o impacto e a incidência das políticas públicas dirigidas à juventude.

Algumas conclusões do Estudo:

· Baixas taxas de analfabetismo entre os jovens (4,2%), mas distribuição desigual. Os extremos vão de Santa Catarina ou Amapá (1%), a Alagoas, com 15,4% de jovens na faixa dos 15 aos 24 anos analfabetos.

· Em todas as faixas etárias analisadas, o analfabetismo é maior entre pretos e pardos (6,4%) do que entre brancos (2%).

· Só 29,2% dos jovens do país encontram-se matriculados no segundo grau ou no ensino superior. Os extremos vão do Distrito Federal (37,7%) até Alagoas (16,2%). Novamente maior participação feminina (31,4%) do que masculina (26,9%) e de brancos (36,6%) do que pretos e pardos (21,3%)

· Altas taxas de atividade entre os jovens: 30,3% só estuda ; 31,2% só trabalha e 18,2% trabalha e estuda. Ainda assim, 20,3% nem trabalha nem estuda, é a população juvenil de renda mais baixa.

· A média nacional de Renda Familiar Per Capita (RFPC) dos jovens, em salários mínimos, foi de 1,46. Os extremos vão do Distrito Federal com 2,46 a Alagoas com 0,73. A discriminação racial também aparece aqui. A RFPC dos jovens brancos é de 2 SM e a dos pardos/pretos 0,9 .

· A taxa global de mortalidade da população brasileira caiu de 633 em 100 mil habitantes em 1980 para 573 em 2000. Porém, a taxa referente aos jovens cresceu, passando de 128 para 133 no mesmo período. A esperança de vida população jovem piorou devido às mortes produzidas por causas violentas.

· Se a média nacional de mortalidade por causas violentas já é elevada (74,4 mortes em 100 mil jovens), em Roraima, Pernambuco e Rio de Janeiro essa taxa supera as 120 mortes em 100 mil. Quase 90% da mortalidade violenta (homicídios, suicídios, acidentes de transporte) é masculina.

· Entre os jovens, as causas internas matam em proporção muito menor do que as causas violentas, mas em mais de 90% dos casos as mortes são consideradas evitáveis. Isso remete à ausência de políticas de acesso dos jovens à saúde.

· No IDJ, os primeiros lugares corresponderam a Santa Catarina, Distrito Federal e Rio Grande do Sul.

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