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UNESCO lança exposição sobre a escravidão nas Américas

Brasília, DF - Foi aberta nesta quarta-feira (18/08/2004), às 11h, no hall da Taquigrafia do Anexo II da Câmara dos Deputados, a exposição "Para que não se esqueça: O Triunfo sobre a Escravidão", que reúne 32 painéis com cenas da travessia do Atlântico e da vida dos africanos escravizados nas Américas. A mostra, que pode ser vista gratuitamente até o dia 26 de agosto, foi criada pelo Centro Schomburg de Pesquisa da Cultura Negra, de Nova Iorque (EUA), em conjunto com o projeto "A Rota do Escravo", idealizado pela UNESCO como marco da proclamação pela Organização das Nações Unidas (ONU) do Ano Internacional para Comemorar a Luta contra a Escravidão e sua Abolição.

A exposição documenta a experiência dos povos africanos escravizados nas Américas, por meio da reconstituição histórica do início do sistema escravista americano até as manifestações mais contemporâneas da arte africana e afro-descendente. Além disso, usa o exemplo de luta dos escravos para estimular valores como o potencial humano de sobreviver e desenvolver-se sob condições desumanizadoras e mostra a capacidade dos seres humanos de confrontar e transcender a opressão.

A cerimônia de abertura contou com a participação da Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde Ribeiro, do presidente da Frente Parlamentar pela Igualdade Racial, deputado Luiz Alberto (PT-BA), do Representante da UNESCO no Brasil (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), Jorge Werthein, e das coordenadoras dos setores de Cultura e Combate ao Racismo e à Discriminação da UNESCO no Brasil, respectivamente Jurema Machado e Edna Roland, entre outras autoridades.

Os 32 painéis da exposição, com 1,05 metro de altura por 0,8 metro de largura, estão divididos em nove blocos temáticos: Um povo novo; A África: A Longa Marcha;  O Comércio Escravista Transatlântico; O Trabalho Escravo e o Sistema Escravista nas Américas; A Luta contra a Escravidão e sua Abolição; Vida Familiar e Desenvolvimento Social; Religião; Língua, Alfabetização e Educação; e Cultura Expressiva.

"Falamos em triunfo para apontar a urgência do êxito definitivo, que será alcançado quando não mais tivermos que contabilizar os prejuízos e danos causados aos descendentes, herdeiros da mais poderosa saga que constitui o patrimônio histórico do Brasil", afirmou o Representante da UNESCO no Brasil, Jorge Werthein.

Para a ministra Matilde Ribeiro, a exposição reforça a necessidade de que a evolução econômica e social do país incorpore a população negra. "Fazer parte dessa exposição com a UNESCO, neste momento, significa mais um passo para que o Brasil se torne a nação que queremos", disse.

Na próxima semana, o Congresso Nacional discutirá o Estatuto da Igualdade Racial, de autoria do então Deputado e hoje Senador Paulo Paim. Segundo o deputado Luiz Alberto, a exposição servirá para inspirar os parlamentares. "É relembrando que teremos a dimensão de quanto ainda temos que reparar junto à comunidade negra", afirmou.

A exposição faz parte das atividades do Ano Internacional para Comemorar a Luta Contra a Escravidão e sua Abolição, declarado pelas Nações Unidas por ocasião do bicentenário da proclamação do primeiro Estado Negro do Ocidente, o Haiti. O evento dá seqüência a uma série de atividades realizadas pela UNESCO, como a promoção de sítios históricos relacionados às rotas e ao comércio de escravos e a celebração de eventos e personalidades ligados à escravidão e sua abolição em todo o mundo.

Em dezembro, a UNESCO no Brasil, juntamente com diversos parceiros do poder executivo e legislativo, organizará o Seminário Internacional Saídas da Escravidão e Políticas Públicas, que visa discutir como os países das Américas realizaram a abolição e as perspectivas atuais de implementação de políticas de igualdade no continente.

 

 

 

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