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Dia Internacional para Lembrar o Tráfico de Escravos e sua Abolição

Paris, França - A celebração do dia 23 de agosto, Dia Internacional para Lembrar o Tráfico de Escravos e sua Abolição, tem particular valor simbólico em 2004, que foi proclamado pelas Nações Unidas como o Ano Internacional para Comemorar a Luta contra a Escravidão e sua Abolição. O objetivo do Ano é lembrar a humanidade da luta dos escravos por liberdade, justiça e dignidade; uma luta que levou à independência do Haiti e à proclamação, em 1804, da primeira república negra.

O dia 23 de agosto se refere à insurreição que começou na noite do dia 22 para o dia 23 de Agosto de 1791, na ilha de Saint-Dominique (hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana), liderada por Toussant Louverture, o primeiro grande general negro. A insurreição levou à primeira vitória dos escravos contra seus opressores na história da humanidade.

Em 23 de agosto de 2004, nós estamos comemorando estes dois eventos chave: a revolta de 1791 e sua culminação em 2004.

O Dia nos dá a oportunidade de refletir sobre as causas históricas, os processos e as conseqüências da tragédia sem precedentes que foram a escravidão e o tráfico de escravos, uma tragédia que foi ocultada por muitos anos e ainda precisa ser plenamente reconhecida.

O Ano também nos dá a oportunidade de entender mais claramente as interações que o tráfico de escravos gerou no mundo entre os diferentes povos envolvidos. Ele não só interrompeu a vida de milhões de seres humanos, arrancados de suas terras e deportados nas mais desumanas condições, mas trouxe intercâmbios culturais que influenciaram de maneira profunda e duradoura a moral, as crenças, as relações sociais e o conhecimento de vários continentes.

Ao divulgar e difundir o grande impacto cultural criado pelas vítimas deste crime contra a humanidade, nós procuramos contribuir para a desconstrução dos preconceitos raciais e dos combates ideológicos de ódio e intolerância. Nós também queremos promover um diálogo de culturas que respeite a diversidade, baseado em valores de tolerância, igualdade e partilha.

Atrás destas dimensões retrospectivas, o Dia objetiva sensibilizar e alertar a opinião pública para o novo comércio de seres humanos, para a escravidão, que, mesmo abolida e penalizada em instrumentos internacionais, ainda é praticada em novas formas que afetam ainda hoje milhões de homens, mulheres e crianças em todo o mundo.

Eu, portanto, convoco a população em todos os Estados Membros da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em particular intelectuais, políticos, religiosos e líderes comunitários, educadores, artistas e jovens, a marcar este dia com atos de meditação, conscientização e troca sobre a tragédia da escravidão que nós não podemos esquecer, e que não podemos jamais tolerar novamente.

Juntos, por meio de nossas ações e nosso compromisso em todas essas frentes, nós seremos capazes de erradicar os vestígios da escravidão e combater novas formas de servilismo que representam intoleráveis violações dos direitos humanos e das liberdades fundamentais.

 

   Koichiro Matsuura


 

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