Congresso Ibero-Americano sobre Violências nas Escolas
Brasília, DF - Alguns dos maiores especialistas do mundo participam, nos dias 28 e 29 de abril, em Brasília, do Congresso Ibero-americano sobre Violências nas Escolas. O encontro tem o objetivo de apresentar resultados de trabalhos e pesquisas, incentivar novos estudos e fomentar o intercâmbio de experiências, propondo recomendações de políticas públicas para o enfrentamento da violência escolar. Além de buscar sensibilizar a sociedade em países em que a produção sobre o tema ainda é incipiente, o Congresso servirá como preparação para o III Congresso Internacional sobre Violências nas Escolas, que também será realizado no Brasil, em 2005.
Durante a Conferência Magna, que acontece hoje (28/04/2005), às 10h15, no auditório do Centro Educacional Maria Auxiliadora, a socióloga e vice-coordenadora do Observatório de Violências nas Escolas-Brasil, Miriam Abramovay, apresentará dados inéditos da Pesquisa de Vitimização nas Escolas 2003, ainda não lançada pela UNESCO no Brasil. O estudo foi realizado no Distrito Federal e em cinco capitais do país (Belém, Salvador, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo), em 143 escolas da rede pública de ensino - estadual e municipal - com mais de 12 mil estudantes. Os resultados são surpreendentes: 69,44% afirmaram que existe roubo na escola e cerca de 37% alegam ter sido roubados uma ou mais vezes na escola. Além disso, 21,7% dizem já ter visto canivetes no ambiente escolar e 12,1% revólveres.
Participam da abertura do evento, às 9h, Jorge Werthein, Representante da UNESCO no Brasil; Tarso Genro, ministro da Educação; Mary Pigozzi Joy, Diretora do Setor de Promoção de Qualidade da Educação da UNESCO; Mariana Morales, do Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia da Argentina e Débora Niquini, Reitora da Universidade Católica de Brasília (UCB).
O evento é promovido pelo Observatório de Violências nas Escolas-Brasil, uma iniciativa conjunta da UNESCO no Brasil e da UCB, e conta com o apoio do Ministério da Educação, Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED), União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME), Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia da Argentina e Embaixada da França.
O Observatório de Violências nas Escolas-Brasil atua em parceria com o Observatório Internacional de Violência Escolar e o Observatório Europeu de Violência Escolar (Universidade de Bordeaux 2), e tem as funções de incentivar a pesquisa, o ensino e a extensão, bem como desenvolver estratégias de prevenção e combate às violências nas escolas, objetivando a construção de uma cultura de paz nas escolas e nas comunidades.
São países ibero-americanos o Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, México, Nicarágua, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela, entre outros. O Congresso será constituído de conferências, painéis com participantes nacionais e internacionais, além da apresentação de trabalhos sobre Violências nas Escolas nos seguintes grupos: Fatores e Manifestações, Gestão e Políticas Públicas, Estratégias Inovadoras para o Enfrentamento, Formação do Professor e Juventudes.
A Conferência Magna do Congresso, que traz o tema "Estudos comparativos sobre as violências nas escolas da França, Espanha e Brasil", abre os debates. Participam da mesa o professor Eric Debarbieux, diretor do Observatório Internacional de Violência Escolar (França), Catherine Blaya, diretora do Observatório Europeu de Violência Escolar, e Miriam Abramovay, vice-coordenadora do Observatório de Violências nas Escolas-Brasil. Ao fim do Congresso, os especialistas divulgarão Carta Manifesto pedindo aos governos e à sociedade civil mais atenção ao tema.

