Você está aqui: Página Inicial Mídia Releases - UNESCO Releases de Imprensa da UNESCO no Brasil - 2005 Ano de 2004 UNESCO Comemora Lutas Contra a Escravidão

UNESCO Comemora Lutas Contra a Escravidão

Gana, África - O Diretor Geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, lança, neste sábado (10/01/2004), o Ano Internacional em Comemoração às Lutas Contra a Escravidão e sua Abolição. As celebrações, que ocorrem em Gana, sítio do Patrimônio Mundial e uma das maiores rotas coloniais de escravos da humanidade, marcam o bicentenário da proclamação do primeiro Estado negro do Ocidente, o Haiti, e dão início a uma série de atividades da Organização, como a promoção de sítios históricos relacionados às rotas e ao comércio de escravos e a celebração de eventos e personalidades ligados à escravidão e sua abolição em todo o mundo.

Entre os objetivos das celebrações deste ano, está a mobilização da comunidade internacional, dos círculos acadêmicos e da sociedade civil para a promoção de uma cultura de paz que ajude a evitar novos tipos de escravidão, abertas ou dissimuladas. A UNESCO, agência escolhida este ano pela ONU para liderar as comemorações, baseará suas ações em torno de iniciativas intersetoriais, multidisciplinares e interinstitucionais, com destaque para o projeto Rota do Escravo, lançado há dez anos, que tem como eixos principais a verdade histórica, a memória, o diálogo intercultural, o desenvolvimento e a paz. 

Segundo a coordenadora de Combate ao Racismo e à Discriminação Racial da UNESCO no Brasil, Edna Roland, o resgate da memória e da verdadeira dimensão da escravidão, que apenas nas Américas respondeu pela comercialização de 12 milhões de africanos, deve ser o principal foco das atividades. "Temos de recuperar essa história, que está soterrada. E temos a necessidade de promover o debate sobre a reparação e superação das conseqüências da escravidão", afirmou Edna, que é um dos cinco Especialistas Eminentes Independentes selecionados pela ONU para acompanhar a implementação das políticas contra o racismo no mundo. Para Edna, é necessário se discutir novas políticas de igualdade racial que completem a abolição, garantindo-se a realização efetiva dos direitos humanos dos negros.

Entre as atividades previstas para o Ano estão, também, a criação de museus, a restauração e digitalização de documentos relacionados à escravidão, a realização de fóruns internacionais sobre o tema e a promoção de concertos, entre eles um show, já pré-agendado para julho, do ministro da Cultura, Gilberto Gil, em Paris.

Em agosto, a UNESCO no Brasil promove um seminário internacional para avaliar as saídas da escravidão adotadas pelos países latino-americanos e a situação atual das políticas de promoção da igualdade no continente. "Precisamos dar visibilidade às peculiaridades de cada independência e mostrar que os negros não foram apenas vítimas da escravidão, mas também protagonistas nas lutas por sua própria liberdade", afirmou Edna.

A escravidão e o tráfico de escravos foram reconhecidos como crimes contra a humanidade durante a III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, realizada pelas Nações Unidas em Durban, em 2001. Edna, que foi relatora geral da Conferência, salienta que os debates não podem se esgotar nas comemorações do Ano Internacional. "Os escravos foram destituídos de sua qualidade de pessoas. Isso não pode ser minimizado nem esquecido jamais", afirmou.

Ações do documento