Você está aqui: Página Inicial Mídia Opinião Discursos e Palestras do Representante da UNESCO no Brasil Ano de 2004 Pronunciamento: "SEMINÁRIO VOZES JOVENS"

Pronunciamento: "SEMINÁRIO VOZES JOVENS"

Brasília - DF, 24 de maio de 2004

Bom dia a todos e a todas,

Existem mais de um bilhão de pessoas jovens, entre 15 a 24 anos, no mundo hoje. Este montante equivale a 18% da população mundial total. Diante de tais dados, é compreensível que nos últimos anos expandiu-se em escala global a necessidade de se discutir a condição juvenil.

A situação das juventudes é atualmente caracterizada por grandes paradoxos, como por exemplo, disparidades em termos econômicos, tecnológicos, sociais e culturais entre diferentes países e regiões. Vale lembrar que quase 85%, deste contingente populacional jovem, vive em países em desenvolvimento.

Nesses países as condições econômicas, políticas e sociais aliadas às incertezas e mudanças mundiais atingem frontalmente os jovens e muitas vezes não lhes indica perspectivas de futuro alentadoras.

Assim, os eixos estratégicos para as políticas de juventudes devem estar voltados prioritariamente aos jovens latino-americanos particularmente afetados por situações de maior vulnerabilidade social.

As mudanças na nossa sociedade tornam-se visíveis ao olharmos os comportamentos juvenis. Os jovens estão envolvidos nos processos de transformação de valores e não podemos nos esquecer que existe uma grande parcela deles que colaboram/ trabalham em projetos, programas e realizam discussões sobre a situação atual e o seu "vir a ser". Eles podem ser educadores, capacidadores e é evidente que atores estratégicos de processos de desenvolvimento.

Esta é uma discussão que nos traz hoje aqui, pois uma das formas de avançar nesta questão seria investir na participação ampla dos jovens em atividades de interesse social e coletivo em especial quando conjugado a bolsas, ajuda de custo ou crédito escolar. Assim, a participação juvenil em grande escala pode ter uma presença nos programas de combate à pobreza, nas atividades de capacitação, em programas de abertura de espaços das escolas nos finais de semana, nas campanhas de alfabetização, na defesa do meio ambiente, para citar algumas esferas em que estas iniciativas podem ser concretizadas.

Entretanto, para que tal perspectiva se cumpra é preciso que essa colaboração econômico-financeira se constitua uma rede de seguridade social para os jovens sem condições econômicas, rede esta formada a partir de amplas parcerias entre o governo, a sociedade civil e os organismos internacionais. Desta forma, se qualifica e intensifica a participação juvenil - enfatizando que para tanto deve haver recursos e condições de empoderamento e pertencimento.

Neste sentido, a UNESCO no Brasil desde 1997 vêm produzindo um grande acervo de pesquisas, estudos, atividades e elaborando proposições de políticas públicas relacionadas às juventudes brasileiras. Esta linha de ação está relacionada a seu mandato ético com a cultura, a educação, a comunicação, informação e a responsabilidade social, assim como com a construção de uma cultura de paz.

A UNESCO está envolvida com a preocupação de assegurar uma tribuna aos jovens - àqueles que são representados ora como esperança de um vir a ser, ora como um perigo ao equilíbrio social, mas que muitas vezes não possuem meios para se expressarem com suas próprias linguagens.

Esses estudos focalizam situações vividas, assim como, vontades e expectativas dos jovens, considerando-os depositários de um saber importante, de formas próprias de ver o mundo e vivenciar o seu cotidiano. Os jovens são produtores do social e costumam apresentar proposições pautadas a partir das suas próprias condições e aspirações.

Atualmente, a UNESCO está engajada ainda em um novo projeto: fazer um mapeamento completo das condições de vida, das atitudes e do comportamento dos jovens. Com o título de "Juventudes Brasileiras" esta é uma pesquisa nacional, com amostragem representativa de todos os brasileiros jovens ( 15 a 29 anos), de zonas urbanas e rurais.

Outra iniciativa pioneira é o Relatório de Desenvolvimento Juvenil 2003.

Inédito no Brasil e no mundo, esse índice foi lançado mundialmente na sede da UNESCO em Paris no dia 10 de maio. Está constituído sobre três pilares - educação, renda e saúde - e em seu conjunto mostra um panorama muito claro sobre as heterogeneidades existentes entre as diferentes regiões, as diferenças de classe e de raça.

Reiterando a preocupação da UNESCO com as situações de vulnerabilidades dos jovens desenvolveu-se várias pesquisas: Violências nas Escolas, Juventudes e Sexualidade; Drogas; Mapas da Violência, entre outras.

Como proposta de uma política pública que enfrente a exclusão social, a UNESCO desenvolve o programa Abrindo Espaços - hoje assumido pelo Ministério da Educação. Esse Programa consiste na abertura de espaços em instituições tais como escolas, quartéis, clubes, centros culturais entre outros. Além de agregar e maximizar os recursos culturais quer da sociedade, quer da comunidade próxima, o Programa atende à demanda expressa pelos jovens quanto às atividades conjugando ética, estética, prazer, reflexão e criatividade.

A natureza do trabalho é educativa e transformadora, pretendendo modificar as relações jovem-escola e jovem-comunidade, mantendo-os em atividades nos finas de semana e oferecendo-lhes novas oportunidades de inclusão sociocultural. Além de entregar jovens e comunidades, a oferta de atividades esportivas, artísticas e culturais ajuda na socialização e contribuem para a reconstrução da cidadania e para mudanças na escola.

A UNESCO apresenta, portanto, um capital de conhecimentos em uso pelos jovens, governo, organismos internacionais, terceiro setor, construído por meio de análises de especialistas, que colocamos à disposição deste Seminário, considerando o nosso objetivo comum e a propriedade do momento político atual.

Obrigado.

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