Pronunciamento: "Lançamento dos Livros 'Astrícia' e livro de perguntas de Cristovam Buarque"
Há vários anos acompanho a trajetória política e intelectual do Senador Cristovam Buarque - como Professor e Reitor da Universidade de Brasília, Governador do Distrito Federal, criador da Missão Criança, Ministro da Educação e agora Senador da República. Em todos esses lugares e experiências, sempre sobressaiu um dos principais eixos de sua vida pública que é o Cristovam Educador, uma síntese, por assim, dizer de todos os outros cristovams.
A figura do Cristovam Educador foi sendo construída no cadinho das diversas lutas sociais e políticas de sua trajetória. E quanto mais aprofundava a reflexão para encontrar respostas às suas indagações, mais a essencialidade da educação mostrava sua força no processo de emancipação das pessoas e do país. Apesar de sempre movimentar o seu raciocínio em várias direções do conhecimento e dos problemas da sociedade, o desfecho final foi sempre o da escola devido à sua crença no poder transformador da educação, que também é a grande crença e esperança da Unesco desde os seus primórdios.
Ao lado do Cristovam Educador, há o Cristovam comprometido com as grandes questões de seu tempo, que pensa o futuro da sociedade.Ambos são indissociáveis e um não pode ser compreendido independente do outro. Nessa dialética intrincada, os dois convergem de forma apaixonada pelas veredas da educação. E, diante do quadro de tantas crianças e jovens sem escolas ou com escolas de má qualidade, ele pergunta e tenta responder, com projetos e com indignação.
Assim, o Programa Bolsa-Escola do Distrito Federal foi uma resposta e uma pergunta, pois ao mesmo tempo em que essa política mostrou-se possível a um custo compatível e como estratégia para tirar crianças das ruas e melhorar sua vida e aprendizagem, indicou também que os desafios da educação brasileira poderiam ser vencidos mediante um esforço comum de todas as pessoas e instituições. A sua insistente pergunta pública por que não fazer isso, porque não pagar uma dívida secular com a melhor moeda do nosso tempo que é a educação, aguçava ainda mais a sua indignação e inconformismo.
No Ministério da Educação, onde esteve mais recentemente, tentou iniciar uma cruzada nacional pela educação, um dos poucos caminhos possíveis para recuperar o tempo perdido. Tentou visualizar um horizonte mais distante e promissor, mas não foi suficientemente compreendido nessa missão. Vivemos numa época em que a perspectiva do futuro parece estar sendo minada por contingências de curto prazo.
De volta ao Senado, ressurge o Cristovam pensador, nos brindando agora com mais dois livros, um deles por sinal de perguntas. Se vivemos uma época de incertezas, nunca foi tão importante perguntar, sobretudo quando as perguntas se dirigem ao núcleo da questão. O mundo que estamos construindo para as gerações futuras está repleto de indignidades e injustiças. Esse é o palco intelectual do Senador Cristovam. Por isso, continuamos a admira-lo como sempre, na expectativa de que suas idéias possa encontrar doravante campos de cultivo mais promissores.

