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Pronunciamento: "Lançamento do Livro Juventude e Sexualidade"

Brasília - DF, 08 de março de 2003

É com prazer que a UNESCO oferece à sociedade brasileira - e em particular às mulheres, neste seu dia, um livro que resulta de extensa pesquisa sobre juventudes e sexualidade.

A UNESCO e seus parceiros vêm percorrendo um longo caminho desde 1997, quando começou a mapear a juventude brasileira por meio de estudos e pesquisas.

Nesta trajetória, um dos principais compromissos tem sido o de considerar as demarcações que geram desigualdades de várias ordens: gênero, raça, condição socioeconômica, região geográfica, entre outras.

No entanto, essas pesquisas não se ocupam apenas de problemas, violências e vulnerabilidades negativas.

Elas buscam sublinhar a vontade que os jovens demonstram de serem atores e atrizes no desenvolvimento do país. Também procuram revelar a diversidade de percepções, expectativas e modos de vida que caracterizam a juventude. Isso explica porque é adotada, no título do livro lançando hoje, a expressão juventudes (no plural), em vez de juventude.

A jovem, o jovem, como bem demonstra este estudo, é parte de um gênero e de uma geração.

Tais especificidades e combinações muitas vezes escapam, inclusive aos movimentos focalizados, acarretando numa adultocracia bem intencionada, mas distante das linguagens e dos anseios das meninas, das moças, dos meninos, dos rapazes.

A presente obra segue a mesma linha das pesquisas realizadas pela UNESCO e seus parceiros anteriormente e analisa as diversas visões e percepções de jovens alunos de ensino fundamental e médio em relação à sexualidade.

Ela aborda temas como iniciação sexual, formas de afetividade, valores sobre sexualidade, métodos de contracepção, prevenção das DST/Aids, gravidez juvenil, violência sexual, discriminações e homofobia.

Além de mapear as diferenças, especificidades e vulnerabilidades, a pesquisa enfatiza o positivo e a potencialidade da sexualidade para o bem-estar dos indivíduos (em especial dos jovens) e a importância de uma postura preventiva e contrária às discriminações.

Como a sexualidade é um tema que possui um sentido especial para as mulheres - já que, como defendem as feministas, é um plano em que ocorrem variadas formas de submissão da mulher -  a pesquisa adotou a categoria gênero com fronteira em todas as análises.

O objetivo é identificar áreas em que as instituições - em particular a escola - podem contribuir para superar desigualdades e vulnerabilidades.

Este estudo também contém elementos no sentido da promoção de ajustes de pedagogias, linguagens, relacionamentos e culturas de convivência, sobretudo na escola.

Como se sabe, a escola é alvo de uma preocupação destacada no mandato da UNESCO, na medida que é um espaço privilegiado de formação e socialização de crianças e jovens.

Estou seguro quanto à contribuição desta pesquisa para as políticas públicas voltadas para os jovens.

Políticas que devem ser sensíveis a gênero, contribuindo para os princípios de eqüidade, respeito às orientações sexuais diversas e voltadas para a criação de escolas mais democráticas, com mais qualidade - quer em termos dos ensinamentos transmitidos, quer em termos do compromisso com a ética de boa convivência e a cultura juvenil.

Considerando significados deste 8 de março — dia de luta, dia de denuncia, dia de festa pelo muito que vêm conquistando as mulheres - termino, chamando a atenção para a singularidade da mulher jovem, do homem jovem, de seus direitos de serem jovens.

Isso vai além da inclusão social e implica o reconhecimento de suas vontades e necessidades, bem como da importância se investir mais em uma educação de qualidade e avessa às desigualdades de gênero, entre outras.

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