Você está aqui: Página Inicial Mídia Opinião Discursos e Palestras do Representante da UNESCO no Brasil Ano de 2003 Pronunciamento: "Lançamento do Prêmio "Experiências Inovadoras para o Aperfeiçoamento do Aprendizado das Ciências da Natureza e Matemática" SEMTEC/MEC/MCT/UNESCO" - Brasília - DF, 05 de agosto de 2003

Pronunciamento: "Lançamento do Prêmio "Experiências Inovadoras para o Aperfeiçoamento do Aprendizado das Ciências da Natureza e Matemática" SEMTEC/MEC/MCT/UNESCO" - Brasília - DF, 05 de agosto de 2003

Brasília - DF, 05 de agosto de 2003

 

 

Quero nesta oportunidade, em nome da UNESCO, congratular-me com o Ministério da Educação e com a presença do Ministério da Ciência e Tecnologia, e especialmente com a Secretaria de Ensino Médio e Tecnológico, pela iniciativa de lançar este Prêmio para experiências inovadoras para o aperfeiçoamento do aprendizado das ciências da natureza e matemática.

Demonstram, desta forma, os Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia o reconhecimento de que o acesso ao conhecimento científico faz parte do direito à educação de todos os homens e mulheres. Igual entendimento foi adotado na Declaração sobre a Ciência e o Uso do Conhecimento Científico, proclamada pela Conferência Mundial de Budapeste, realizada pela UNESCO.

A educação científica é de importância essencial para o desenvolvimento humano, para a criação de capacidade científica endógena e para que tenhamos cidadãos participantes e informados. A Declaração de Budapeste insiste que a educação em ciência, sem discriminação e abrangendo todos os níveis e modalidades de ensino, é um requisito fundamental da democracia e também do desenvolvimento sustentável.

Ainda que o Brasil mostre, em diversos diagnósticos, sérios problemas a enfrentar na esfera educacional e, em especial, no ensino de ciências, são muitos os esforços desenvolvidos para superá-los. São esforços meritórios feitos por Estados e Municípios, por escolas e por professores, buscando a valorização do ensino das ciências, mesmo enfrentando diferentes tipos de obstáculos.

Esses esforços podem e devem ser sistematizados e organizados em âmbito nacional e, desta forma, subsidiarem a formulação e implementação de políticas e ações que restabeleçam a importância da educação científica, criando de forma gradual as condições para proporcionar às crianças e jovens do Brasil, oportunidades concretas de uma educação científica de qualidade.

Se, como argumenta Manuel Castells que, pela primeira vez na história, a mente humana é uma força direta de produção e não apenas um elemento decisivo no sistema produtivo, pode-se concluir que, a ausência de uma educação científica de qualidade pode comprometer o desenvolvimento das inteligências necessárias a um mundo que demanda de forma crescente conhecimentos e mentes inovadoras.

Nunca se pode perder de vista que grandes descobertas como o DNA, a invenção do computador e da Internet e tantos outros inventos e criações revolucionárias, são frutos de uma cadeia pedagógica e científica que começa na alfabetização, chega à universidade e continua em programas de pós-graduação e pesquisa de alto nível. Einstein, Flemmings, Chagas, Lattes não surgem da noite para o dia.

Mario Bunge, um pensador singular da ciência contemporânea, tinha razão ao afirmar que o desenvolvimento da ciência e da técnica de uma sociedade faz parte de seu desenvolvimento cultural e, em uma sociedade em vias de modernização é, ou deveria ser, a parte principal desse desenvolvimento. Por isso mesmo, há a necessidade de se pensar a educação em todas as suas etapas com vistas a adoção de políticas sinérgicas que se complementem reciprocamente.

Nunca será demais observar que uma política para o setor precisa estar atenta a vários fatores que condicionam o seu êxito, particularmente no que se refere à formação inicial e a carreira do magistério que precisam ser revistas e redirecionadas para um horizonte que estimule a escolha pela profissão docente. O Brasil dispõe hoje de excelentes cientistas que se dedicam ao ensino das ciências e que começam a ser convocados para enfrentar esse desafio.

Nesse contexto, é quase óbvio opinar que a única alternativa, no Brasil, para realmente alcançar um desenvolvimento pleno é realizando investimentos maciços na Educação, Ciência e Tecnologia.

Por sua parte, a UNESCO já está mobilizando seus especialistas e consultores com o objetivo de oferecer a sua experiência e a cooperação internacional ao Governo Brasileiro, com a crença de que as novas condições políticas, mesmo diante das limitações econômicas, possam criar um clima favorável para a instauração de uma política promissora nesse setor.

Nesta oportunidade, coloco a Representação da UNESCO do Brasil à disposição dos Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia para construir essa nova realidade.

Ações do documento