Você está aqui: Página Inicial Mídia Opinião Discursos e Palestras do Representante da UNESCO no Brasil Ano de 2002 Pronunciamento: "Solenidade de Assinatura da Cooperação Banco de Boston-Missão Criança, com o Apoio da UNESCO e do UNICEF" - Brasilia - DF, 28 de novembro de 2002

Pronunciamento: "Solenidade de Assinatura da Cooperação Banco de Boston-Missão Criança, com o Apoio da UNESCO e do UNICEF" - Brasilia - DF, 28 de novembro de 2002

Brasília - DF, 28 de novembro de 2002


  • Exmo. Sr. Paulo Renato de Souza, Ministro de Estado da Educação;
  • Exmo. Sr. Geraldo Carbone, Presidente do BankBoston;
  • Exma.. Sra. Reiko Niimi, Representante do UNICEF;
  • Exmo. Professor Cristovam Buarque, Professor Titular da UNB e Senador eleito da República;
  • Demais autoridades presentes;
  • Mães e Crianças,

A Solenidade de Assinatura deste termo de parceria entre a Fundação BankBoston e a Missão Criança, visando à criação do Fundo Educação para o atendimento de 300 crianças e adolescentes matriculados na escola básica, com o apoio da UNESCO e do UNICEF, reveste-se de um significado emblemático, pois sinaliza para o advento de um futuro mais promissor para a educação brasileira.

Sem dúvida, em que pesem os avanços feitos pelo Brasil nos últimos anos, sobretudo no que se refere à meta de assegurar escolas para todas as crianças e jovens, há ainda um enorme caminho a percorrer para que o país possa ostentar um sistema público de educação de qualidade, capaz de garantir o atendimento, com sucesso, às necessidades mínimas de educação exigidas pela atualidade.

Já se foi o tempo da predominância do fator matéria-prima. As últimas revoluções tecnológicas estão fazendo surgir uma nova estrutura social, "um novo modo de desenvolvimento" que conduz a um capitalismo informacional, para usar a expressão de Manuel Castells.

Este modo de desenvolvimento se caracteriza por uma busca incessante de conhecimento e informação.

A rigor, estamos em plena economia da informação e do conhecimento.

Em decorrência desse novo paradigma, cresce, como nunca antes havia acontecido na história, a importância da escola e da educação de qualidade. Entretanto, se, por um lado, a sociedade começa a reconhecer o valor estratégico da educação, por outro, torna-se, também, mais claro a magnitude do desafio para a construção de um sistema público de educação de qualidade, amplo e inclusivo, principalmente nos países que, como o Brasil, não lograram, ainda, atingir os padrões mínimos de escolaridade e conhecimento. A complexidade do desafio de assegurar a todas as crianças e adolescentes uma educação de qualidade se amplia na medida em que se reconhece também que o Estado, por si só, já não dispõe de forças suficientes para atender às crescentes demandas por mais e melhor educação.

Há a urgente necessidade de somar esforços e energias.

A Conferência de Educação para Todos, organizada pela UNESCO no início dos anos noventa, em Jomtien, Tailândia, já havia percebido isso com clareza. Por isso mesmo, propôs a adoção generalizada de uma estratégia de alianças e parcerias, como condição básica para o enfrentamento dos novos desafios.

No Brasil, a política de alianças e de parcerias já possui inúmeros exemplos, com destaque para o crescimento das fundações e institutos empresariais. Grandes grupos empresariais começaram a perceber, com lucidez, a necessidade de imprimir às suas organizações um sentido social solidário, como forma de ajudar o poder público em seu esforço de garantir a todos o direito inalienável a uma educação de qualidade.
A Fundação BankBoston é um exemplo da nova lucidez empresarial.

O Fundo Educação, que está sendo criado hoje, alia demandas do capital com demandas por educação.

Nesta aliança, reside a potencialidade do projeto. Certamente ele se converterá em referência para que outros grupos adotem o mesmo caminho. A proposta do Presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, de promover um amplo pacto social situa-se nessa perspectiva, ou seja, a da necessidade de superar limitações e obstáculos mediantes medidas concretas que possam harmonizar e conciliar interesses com vistas a colocar a sociedade brasileira em circuito moderno de inovações cidadãs.

Por último, quero ressaltar o conteúdo do projeto que trata de conceder uma bolsa-escola anual às crianças e aos adolescentes que tiverem freqüência e aprovação. Ao final do ensino obrigatório, essas crianças e jovens terão não apenas vencido uma etapa importante para dar sentido às suas vidas, como também terão uma pequena poupança que, certamente, ajudará a projetar um horizonte mais promissor.

A bolsa-escola constitui, sem dúvida alguma, uma das inovações mais bem pensadas dos últimos anos na educação brasileira.

Concebida por um grupo de estudos da Universidade de Brasília e testada com êxito ao tempo em que Cristovam Buarque era governador, hoje ela já se espalha por várias partes do mundo. Ela tem o mérito de, simultaneamente, dar sentido à educação e à vida.

Tanto a Fundação BankBoston como a Missão Criança podem contar com o apoio da UNESCO.

Iniciativas como esta, a UNESCO não apenas apóia, mas acompanha e sistematiza para divulgá-la em outros países e continentes.

Somente por este esforço conjunto poderemos fazer da educação o maior bem comum da humanidade, para usar a expressão do Diretor-Geral da UNESCO, Embaixador Koichiro Matsuura.

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