|
Goiânia - GO, 06 de Junho de 2002
Entre os grandes compromissos mundiais da UNESCO, encontra-se a missão de promover e manter a paz.
Cinqüenta anos depois da fundação das Nações Unidas e da UNESCO, o mundo encontra-se novamente em posição de transformar a cultura predominante de violência em cultura de paz. Hoje, o desafio consiste em encontrar os meios de mudar definitivamente as atitudes, valores e os comportamentos no intuito de promover a paz e a justiça social, a segurança e a solução não violenta dos conflitos.
Neste sentido, o ano 2000 foi decretado pela Assembléia Geral das Nações Unidas como o ano internacional da cultura de paz, e este esforço continua. A década 2001-2010 foi decretada como a década internacional da cultura de paz e não violência para as crianças do mundo.
Falar em cultura de paz é falar dos valores essenciais à vida democrática: participação, igualdade, respeito aos Direitos Humanos, respeito à diversidade cultural, justiça, liberdade, tolerância, diálogo, reconciliação, solidariedade, desenvolvimento, justiça social.
A educação, no sentido mais amplo do termo, é o componente crucial da cultura de paz; uma educação que torne cada cidadão sensível ao outro, e que imponha um senso de responsabilidade com respeito aos direitos e liberdades.
A educação para todos ao longo de toda a vida, formal e informal, deve ser baseada nos quatro pilares do conhecimento: "aprender a conhecer", "aprender a fazer", "aprender a viver junto", e "aprender a ser".
Por esse motivo, a Assembléia Geral das Nações Unidas decidiu incumbir a UNESCO de levar à frente um movimento mundial de transição de uma cultura de violência para uma cultura de diálogo, de tolerância e de solidariedade.
No Brasil, o trabalho da UNESCO na divulgação da cultura de paz é auxiliado por uma sólida linha de pesquisas sobre juventude, violência e suas aspirações. Nestas pesquisas procuramos apontar as preocupações da juventude e as causas da violência, destacando experiências bem sucedidas de combate a violência e procurando estimular a implementação de políticas públicas voltadas às crianças e jovens. É por esse motivo que nos reunimos hoje para apresentar às autoridades do Estado de Goiás, bem como à sua sociedade, os resultados da pesquisa Violências nas Escolas. Este estudo foi realizado em 14 estados brasileiros e toma por base percepções e proposições dos diversos atores da comunidade escolar. Esta publicação tem por objetivo contribuir para a construção de uma cultura de paz, privilegiando a escola como locus de reflexão e debate e como instituição capaz de uma atuação mais direta e decisiva em benefício da sua comunidade imediata e da sociedade brasileira como um todo.
A violência contribui para a pobreza e a pobreza contribui para a violência. Precisamos, portanto, continuar trabalhando e somando esforços para que possamos superar nossos indicadores de violência. De que forma se faz oposição a isso? Como é que a sociedade brasileira pode responder à demanda da população por paz? Acreditamos que a possível resposta se encontre no marco da Cultura de Paz.
E como fazer da cultura de paz uma realidade concreta e duradoura? No mundo interativo, tudo é uma questão de conscientização, mobilização, educação, prevenção e informação de todos os níveis sociais em todos os países. A elaboração e o estabelecimento de uma cultura de paz requer profunda participação de todos. Cabe aos cidadãos organizarem-se e assumir sua parcela de responsabilidade. Os países devem cooperar, as organizações internacionais devem coordenar suas diferentes ações e as populações devem participar inteiramente no desenvolvimento de suas sociedades. Em todo o Brasil, indivíduos, instituições e estados já estão tomando parte na Campanha Mundial da Cultura de Paz. A participação do Governo Estadual e das Prefeituras Municipais é fundamental neste processo e permitirá discutir novas formas de aproveitamento de equipamentos sociais urbanos que existem e não tem pleno aproveitamento.
A implementação de políticas públicas dirigidas à juventude é, nesse contexto, uma exigência que se impõem a todos nós.
Uma importante parceria da UNESCO com alguns Estados brasileiros tem levado a cabo o programa "Abrindo Espaços: Educação e Cultura para a Paz". Este programa proporciona, e tem apresentado resultados bastante animadores, a abertura das escolas nos finais de semana dando oportunidade aos jovens de exercitar seu potencial criativo, realizar atividades de lazer, esporte, cultura, em suas próprias comunidades. Se deixarmos nossos jovens sem nenhuma atividade ou ocupação, haverá tempo para as drogas, a violência, o ócio, a falta de perspectiva, a morte.
Ao dar incentivo à educação e às artes, o Governo contribui significativamente para que jovens em situação de risco sejam incluídos nos benefícios da sociedade. Todos - governo e sociedade civil - estão cientes de que investir na prevenção é o caminho mais eficiente.
A cultura de paz é uma iniciativa de longo prazo que deve levar em conta os contextos histórico, político, econômico, social e cultural de cada ser humano. É necessário aprendê-la, desenvolvê-la e colocá-la em prática no dia-a-dia familiar, regional ou nacional. É um processo sem fim.
O pluralismo cultural é outra força diretriz para a paz e a solidariedade internacionais. A paz não pressupõe de forma alguma homogeneidade. E o Brasil é um claro exemplo de que é possível a convivência harmônica em uma sociedade culturalmente diversa.
Sabemos que o basta à violência não será imediato nem automático. É necessário buscar respostas viáveis para que, juntos, possamos dar início à construção da Paz. Em todo o Brasil, indivíduos, instituições e estados já estão tomando parte na Campanha Mundial da Cultura de Paz. Contamos com o apoio de grande número de parceiros, dentre eles grupos de jovens, professores, prefeitos, membros do Congresso Nacional, das forças armadas e da mídia, representantes religiosos, dos povos indígenas, artistas e a iniciativa privada.
É esse o desafio que a UNESCO tem para os próximos anos: construir uma cultura de paz. Trabalhar em prol da educação para todos, na construção solidária de uma nova sociedade mais igual e justa, onde o respeito aos direitos humanos e à diversidade se traduzam concretamente na vida de cada cidadão, onde haja espaço para a pluralidade e a vida possa ser vivida sem violência.
Saibam que têm na UNESCO um parceiro fiel para suas atividades em prol da Cultura de Paz.
Muito obrigado.
|