Pronunciamento: "Dia Mundial da Liberdade de Imprensa " - Brasília - DF, 3 de Maio de 2002
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Brasília - DF, 3 de Maio de 2002
Falar sobre liberdade de imprensa num local como este e para uma platéia como esta é um privilégio e também uma grande oportunidade Afinal, a liberdade de imprensa é a própria essência da liberdade de expressão e o ambiente universitário não pode nunca viver sem liberdade para exprimir seus conceitos, travar seus debates, aprofundar o conhecimento e buscar novas verdades. A liberdade de imprensa é elemento fundamental das sociedades democráticas. Nem sempre o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, dia 3 de maio, foi comemorado. Acredito que seja sempre bom comemorar esta data, como um simbolismo de tudo o que significa para os cidadãos a livre expressão. É por isto tudo que estamos aqui hoje. Esse dia existe para nos lembrar sempre que só com uma imprensa livre é possível denunciar os erros e corrigi-los. E que só com uma imprensa livre é possível tomar conhecimento de todas as idéias e informações que nos permitirão, como cidadãos, tomarmos as melhores decisões e escolhermos os caminhos que julgamos mais adequados. Rui Barbosa falou, em conferência sobre A Imprensa e o Dever da Verdade, que não exagerava quem dissesse "que a imprensa é a garantia de todas as liberdades". A liberdade de expressão começa na escola. É em escolas como o UNICEUB, em Brasília, no Brasil e no resto do mundo, que os jovens buscam o conhecimento para se lançar à vida adulta e para enfrentar uma sociedade cada vez mais competitiva. Neste processo de busca do aprendizado, neste ambiente de debate, a liberdade de expressão é fundamental. É impossível imaginar uma faculdade ou estudantes universitários sem liberdade para ensinar e aprender. Ou melhor, é até possível, pois infelizmente existem ou já existiram países onde a educação e a transmissão do conhecimento se dão sem a liberdade. E o resultado, vocês podem estar certos, é o pior possível, pois educar sem liberdade é como limitar o oxigênio que precisamos para respirar. Para nós da UNESCO, que trabalhamos pela educação, pela ciência e pela cultura em todo o mundo, a liberdade de debater, de transmitir o conhecimento, de exprimir toda a diversidade do conhecimento humano é vital como o oxigênio. Em situações de conflito, a responsabilidade dos meios de comunicação de proporcionar uma informação independente e pluralista ganha ainda maior importância. Eu dizia no início que a liberdade de imprensa é a própria liberdade de expressão. O melhor termômetro do grau de liberdade de uma sociedade é a sua imprensa, seus meios de comunicação. Se os meios de comunicação são totalmente livres para transmitir toda e qualquer idéia ou informação, dentro do bom senso ditado pela ética e pela responsabilidade, aí sim podemos dizer que temos uma sociedade, um país, realmente livre. Imaginemos uma situação onde liberdade de qualquer um de nós seja impedida, de seus níveis mais cotidianos àqueles mais sofisticados ou complexos. Da possibilidade de reclamar de um produto que compramos e que não atendeu às nossas expectativas ao desejo de lutar por mudanças estruturais em nossa sociedade. Sem meios de comunicação absolutamente livres, nem uma coisa nem outra seria possível. Se achamos alguma liberdade desrespeitada, sempre haverá defensores na imprensa, denúncias, protestos. É aos meios de comunicação que sempre recorremos para exercer na plenitude nossa liberdade. Sem imprensa livre, está comprometido todo e qualquer exercício de liberdade, está inviabilizada a própria democracia. Meios de comunicação livres, desobstruídos de qualquer impedimento político, ideológico ou econômico, é que permitem a circulação das idéias, das informações e do conhecimento. Ou seja, é a liberdade que mantém saudável uma sociedade, que permite a ela crescer, desenvolver-se e buscar a prosperidade dentro daquilo que a maioria dos seus cidadãos considera justo e correto. Em ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, reafirmamos que essa liberdade constitui um aspecto indispensável da liberdade de expressão, noção mais vasta, direito que qualquer um adquire ao nascer e que constitui um dos fundamentos para o progresso humano. Nossa comemoração inclui uma exposição de um dos melhores fotógrafos do país, Ubirajara Dettmar, na galeria Luís Beltrão aqui no UNICEUB. Este fotógrafo mostra cenas urbanas de Nova York, sempre buscando o ângulo certo, o momento perfeito para acionar a sua câmara. O fotojornalismo é elemento fundamental na diversidade da expressão dos meios de comunicação. Foi também para comemorar o Dia 3 de maio deste ano e marcar junto a vocês, estudantes universitários, o compromisso da UNESCO com esta e todas as outras liberdades, que convidamos o escritor e jornalista Carlos Heitor Cony para vir aqui ao CEUB expor suas idéias e debater. Cony é um dos melhores escritores e jornalistas brasileiros, além de ser integrante da seleta lista de imortais da Academia Brasileira de Letras. Alguém que faz da palavra sua ferramenta diária e para quem a liberdade de imprensa é o oxigênio essencial a que me referi. Atravessou momentos difíceis neste país, quando não havia esta liberdade que hoje parece tão natural, mas que quando não temos é que mais valorizamos. É olhando para o passado que percebemos que não podemos nunca deixar de valorizar a liberdade de hoje. Carlos Heitor Cony é um humanista no sentido mais puro da palavra, daqueles que, mesmo céticos e muitas vezes decepcionados com o ser humano, não vêem outra saída a não ser acreditar neste mesmo ser humano. Humanistas como Cony só são possíveis com liberdade. Seus livros, suas crônicas nos jornais, suas participações no rádio e na televisão, são exemplos diários do bem imenso que a liberdade de imprensa faz para todos nós. Cony critica, elogia, nos faz refletir, enfim, nos torna melhores. Há um livro dele, talvez o mais conhecido, que é o Quase Memória. Um livro singelo e de homenagem a seu pai. Por sinal, jornalista, de quem certamente herdou o talento e o gosto pela palavra escrita. Pois em Quase Memória, Cony cita uma frase que seu pai repetia todas as noites, ao dormir, como uma espécie de estímulo diário a si mesmo. Dizia o pai de Cony: "Amanhã farei grandes coisas". Eu acho que é este espírito - de que podemos e devemos fazer grandes coisas - que deve nortear vocês, estudantes universitários. Os sonhos e as utopias estão aí para serem alcançados. E a liberdade, que nós hoje homenageamos na figura deste grande homem de idéias que é Carlos Heitor Cony, será sempre fundamental para que vocês alcancem grandes objetivos. |
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