Pronunciamento: "Lançamento do Livro Drogas nas Escolas" - Brasilia - DF, 11 de novembro de 2002
Brasília - DF, 11 de novembro de 2002
Desde 1997, a UNESCO-Brasil realiza uma série de pesquisas centradas nos temas de juventude, violência e cidadania.
Esses estudos apresentam sugestões e propostas para políticas públicas, visando contribuir na busca de soluções para os problemas que afetam a juventude.
São trabalhos que enfocam, em particular, a escola, assim como experiências de organizações da sociedade civil no campo da cultura, da arte, do esporte, do lazer e da educação para cidadania.
Essas pesquisas compõem um razoável acervo de estudos sobre diferentes dimensões que são essenciais para a qualidade de vida dos jovens. Destacam-se, neste conjunto, duas publicações da UNESCO-Brasil: o livro Violências nas escolas e a Avaliação das ações de prevenção às DST/AIDS e uso indevido de drogas nas escolas de ensino fundamental e médio em capitais brasileiras.
Este livro, Drogas nas Escolas, se alinha a um projeto da UNESCO em nível internacional, a fim de colaborar na identificação de políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade de vida dos jovens. A aposta é a de que a escola e a educação para a paz são construtos necessários, se não suficientes, a tal projeto.
Entre meias e enviesadas anunciações, e o silêncio em relação à complexidade do tema, a UNESCO Brasil opta pela palavra de muitos, em especial, na voz dos jovens.
Muito se tem escrito sobre drogas e juventude, nos mais diversos campos do conhecimento, particularmente em um enfoque epidemiológico. Também existem trabalhos que fazem referência à escola e à importância dela ser um lugar de programas preventivos. O presente estudo procura ir além dessas abordagens e possui uma singular propriedade assegurada por meio de um tripé composto pela metodologia que o orienta, pela preocupação com políticas públicas e pelo lugar que confere à escola no âmbito do debate sobre as drogas.
A realização do presente livro muito deve à vontade de várias agências. Na realização da pesquisa-base, a UNESCO-Brasil contou com a colaboração dos seguintes parceiros: CNPq, USAID, UNAIDS, UNDIME, Banco Mundial, Fundação Ford, Instituto Ayrton Senna, Ministério da Saúde/Coordenação Nacional de DST/AIDS e Secretaria de Estado dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça.
A UNESCO-Brasil espera, com esta publicação, contribuir para o necessário debate sobre as relações existentes entre drogas e juventude, atentando para as vozes de atores diversos, em particular a dos jovens, dentro de uma perspectiva de prevenção. Pretende ainda contribuir para a modelagem de escolas de excelência, escolas de proteção e para a formulação de políticas públicas voltadas para a qualidade de vida da infância e da juventude.
A UNESCO vem dando ênfase à desmistificação de tabus, evitando reduzir as ações e o debate ao caráter químico-médico-social das drogas e chamando a atenção para um tratamento integral do tema, centrado na qualidade de vida. Além disso, vem investindo, juntamente com a Comissão Européia, na criação de uma rede de informações no campo da educação preventiva contra o abuso de drogas.
Um dos desafios atuais consiste em persistir na valorização do desenvolvimento sustentado, voltado para a melhoria das condições de vida e para a construção de uma cultura de paz .
No caso do Brasil, isso vem-se realizando por meio de parcerias entre o setor público e organizações da sociedade civil, bem como de programas, pesquisas e instrumentos de avaliação.
Essas práticas têm de estar apoiadas no compromisso com a educação de qualidade e na importância da escola como espaço de prevenção do uso de drogas.
A pesquisa que ora se apresenta, baseada nas percepções de alunos, professores e outros membros da comunidade pedagógica e pais, reforça a ênfase na importância da escola e de um ensino voltado para a vida.
Os resultados deste estudo indicam que a busca de soluções para a questão das drogas não pode ser pautada, simplesmente, pela adoção de medidas simples e isoladas. Deve-se desenvolver estratégias de alcance mais amplo e com efeitos de longo prazo, envolvendo a cooperação entre a escola, a família, a comunidade e as instituições governamentais, e, principalmente, investindo no desenvolvimento de escolas protegidas e de proteção integral por meio de vetores sócio-educacionais.

