Você está aqui: Página Inicial Mídia Opinião Discursos e Palestras do Representante da UNESCO no Brasil Ano de 2002 Pronunciamento: Exposição de fotografia dedicada às crianças de Moçambique "... só vemos bem com o coração..." - Lisboa - Portugal, 12 de setembro de 2002

Pronunciamento: Exposição de fotografia dedicada às crianças de Moçambique "... só vemos bem com o coração..." - Lisboa - Portugal, 12 de setembro de 2002

Lisboa - Portugal, 12 de setembro de 2002

Excelências,

Eminentes Convidados,

Senhores e Senhoras,

Em primeiro lugar, gostaria de expressar minha gratidão à Prefeitura da bela cidade de Lisboa, a qual tão gentilmente cedeu o espaço da Rua Augusta para a exposição "só vemos bem com o coração". Em segundo lugar, permitam-me expressar a honra de representar oficialmente a UNESCO em tão importante evento, o qual apresenta uma iniciativa original e esteticamente única para um tema de fundamental importância para a UNESCO: a riqueza singular da infância.

Deste modo, o Diretor-Geral da UNESCO, Sr. Koichiro Matsuura, hoje me incumbiu da missão de hoje sublinhar a relevância do "Programa Crianças em Risco" da UNESCO (Children in Need). Por todo mundo, milhões de crianças vivem em situação precária e são desfavorecidas no tocante a um mínimo de direitos elementares, como uma infância digna e plenitude da integridade física e moral. Alarmantemente, mais de 110 milhões de crianças não tem acesso à escola, o que leva seus países a um ciclo de pobreza e de conseqüente instabilidade social.

Num mundo globalizado, permeado por complexidades cada vez crescentes, a educação tem papel de destaque na capacitação e desenvolvimento de nossos futuros cidadãos. Como já salientou o Diretor-Geral da UNESCO, Sr. Koichiro Matsuura, "o ensino fundamental não é somente um direito básico para cada indivíduo, mas é também a chave para o desenvolvimento sustentável, a paz e a estabilidade entre as nações". As palavras do Diretor-Geral da UNESCO não poderiam ser mais oportunas em função dos recentes debates da Conferência de Joanesburgo.

Portanto, o reconhecimento da importância crucial deste direito básico para a recuperação e inserção de jovens impõe uma responsabilidade maior à UNESCO, a qual deve - a partir de agora - ser cada vez mais pro-ativa no cumprimento de seu mandato.

Em abril de 2000, em Dakar no Senegal, mais de 160 nações adotaram as metas do plano de Ação "Educação para Todos", uma iniciativa sem precedentes encabeçada pela UNESCO. A responsabilidade da UNESCO na consecução desses objetivos é, portanto, da mais alta relevância. Cabe à nossa Organização zelar pelo cumprimento de metas ambiciosas, como a expansão de programas de atenção básica infantil, o estabelecimento de uma educação universal, o fim das disparidades de gênero em educação básica, e a inserção de programas de treinamento e educação continuada para jovens e adultos.

A importância da exibição "só vemos bem com o coração" também não se resume apenas à abordagem de um tema tão importante como a proteção de crianças em situação de risco. Outro mérito da exposição, ao meu ver, também reside num aspecto muitas vezes esquecido em políticas educacionais e de inclusão social, que é precisamente a cooperação entre os povos.

Neste sentido, aproveito para felicitar meu colega Luis Tibúrcio, o qual no passado representou a UNESCO em Maputo e lançou as bases para o programa "Empresa Jovem", uma das primeiras iniciativas a oferecer alternativas artístico-culturais para jovens em situação de risco. Acredito que a cooperação internacional só agrega valor à solução de problemas comuns a todos os povos, especialmente no tocante à infância. Por isso, creio que a exposição sobre Moçambique, feita com base na percepção das lentes de fotógrafos portugueses, vem a contribuir e enriquecer uma percepção multicultural sobre temas que são de importância global, mas que sempre permitem percepções distintas.

A UNESCO no Brasil, país irmão de Moçambique e Portugal, também tem muito a contribuir num modelo de cooperação entre os povos. Recentemente, por exemplo, temos trabalhado junto a Moçambique em áreas nas quais ambos os países podem se beneficiar de experiências sociais inovadoras. Nossa cooperação tem se estendido a campos que vão da prevenção ao vírus da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA/AIDS) a programas de cooperação de cunho técnico-científico, todos com um claro objetivo implícito: um futuro melhor para nossas crianças.

Por fim, aproveito para lembrar as sábias palavras de Jean Piaget, as quais não poderiam ser mais adequadas para tão interessante exposição: "quando vejo uma criança, sou tomado por dois sentimentos: ternura, pelo que ela é, e respeito, pelo que ela pode vir a ser".

Obrigado.


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