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Pronunciamento: Cerimônia de entrega do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia

Brasília - DF, 10 de agosto de 2005

Excelentíssimos
Dr. Luis Manuel Rebelo Fernandes, Secretário Executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil,
Dr. Luis Alberto Lima, Ministro Presidente do Conselho de Ciência e Tecnologia do Paraguai,
Sr. Fernando Marr, Ministro Conselheiro da Embaixada do Uruguai,
Dr. Luis Marcano González, Vice-ministro de Planejamento e Desenvolvimento da Venezuela,

Prezados Senhores
Sr. Gustavo Grueta, Conselheiro da Embaixada da Argentina,
Dr. Enrique Grunhut, Coordenador de Relações e Projetos Internacionais do Ministério da Educação e Cultura do Uruguai,
Prof. lberto Luis Cappareli, Coordenador da Comissão de apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico da Reunião Especializada de Ciência e Tecnologia para o Mercosul,
Sr. Cristian Córdova, Segundo Secretário da Embaixada do Paraguai,

É com grande satisfação que me reúno aqui hoje, ante tão ilustre audiência, para realizar a entrega do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia 2004.

Resultado de uma iniciativa da Reunião Especializada em Ciência e Tecnologia para o Mercosul - ReCyT - o prêmio é outorgado em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil e com a UNESCO. Ao destacar as melhores pesquisas desenvolvidas no campo da C&T, busca incentivar a produção de conhecimento nos quatro países que compõem o Mercosul - Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Acredito, porém, que o alcance deste Prêmio vai muito além do reconhecimento aos esforços de jovens pesquisados ou de equipes multinacionais de pesquisa. Sua própria existência chama nossa atenção para uma outra faceta fundamental do processo de integração regional.

Estamos todos muito acostumados a enxergar os blocos regionais como unidades destinadas à obtenção de benefícios comerciais. Naturalmente, o trânsito facilitado de bens e serviços contribuem de maneira relevante para a melhoria no bem-estar da sociedade. É, contudo, menos comum que nos lembremos de que o sucesso de um processo de integração sólido e sustentado deve necessariamente passar pelo intercâmbio de idéias, pelo diálogo entre culturas e pela construção de arcabouços intelectuais compartilhados. Estou convencido de que são estes elementos intangíveis que garantem longevidade aos esforços integracionistas, sobretudo quando as negociações comerciais deparam-se com entraves de delicada resolução. Neste sentido, o Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia abre um canal de comunicação entre comunidades acadêmicas de diferentes países e convida-as a pensar e agir em conjunto, reconhecendo-se mutuamente e reforçando seus vínculos.

Este contato entre distintas nacionalidades contribui igualmente para a formulação de uma agenda regional no campo da ciência e tecnologia. Neste processo de concertação devem estar envolvidos não apenas a comunidade científica, mas, fundamentalmente, os Ministérios de Ciência e Tecnologia de cada país da região e demais instâncias fomentadoras da CyT nos âmbitos local, nacional e regional. O fruto deste colóquio deve ser a consolidação de uma política comum de desenvolvimento científico-tecnológico, que busque fortalecer as sinergias regionais e contemple uma agenda definida de prioridades.

É imenso o potencial de tal agenda regional votada à ciência e tecnologia. Somos todos cientes do papel central das CyT como base para o desenvolvimento sustentável. Voltar as inovações científico-tecnológicas à geração de renda e emprego, a processos de produção mais eficientes e menos poluentes, a sistemas de informação mais dinâmicos e eficazes é um dos modos de garantir que os avanços logrados sejam utilizados em benefício dos países envolvidos. Poder-se-ia, assim, elevar os países do Cone Sul a uma posição de maior destaque no cenário internacional, promovendo a exportação de soluções tecnológicas inovadoras e de produtos de maior valor agregado.

Tais resultados, porém, só poderão ser alcançados se persistirem os esforços voltados à viabilização do trabalho conjunto entre pesquisadores argentinos, brasileiros, paraguaios, uruguaios, assim como bolivianos, chilenos, venezuelanos e todos os demais países que queiram se associar a esta empreitada regional, que deve ser sempre aberta. É preciso insistir nos investimentos voltados ao aumento das competências técnico-científicas de cada país e incentivar a formação de jovens pesquisadores.

Por fim, gostaria de deixar aqui manifesto a disposição da UNESCO em continuar participando das próximas edições do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia, iniciativa exemplar, de extrema importância para a promoção do diálogo intercultural, para o desenvolvimento científico tecnológico e para a continuidade do processo de integração entre os países da região.

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