Pronunciamento: "Lançamento do livro 'Solidariedade - Escreva a sua Parte'"
Brasília-DF, 28 de abril de 2005
Senhores e Senhoras,
É com prazer que mais uma vez relançamos o concurso UNESCO-Folha Dirigida para jovens universitários. No mundo moderno, marcado pelas novas mídias de fácil acesso - como a TV, o rádio, a Internet - muitas vezes nos esquecemos da riqueza da palavra escrita e do prazer da leitura.
Daí se destaca a importância de um concurso como o que estamos celebrando hoje: trata-se da possibilidade única de podermos exercitar nossa criatividade e intelecto em temas de fundamental relevância para o Brasil contemporâneo. O tema deste ano ("Solidariedade"), complementando o tema escolhido no ano passado ("Escrevendo a Paz"), é mais do que atual. Nessa mesma semana, em Brasília, numa solenidade com o Ministro da Educação e o Instituto Faça Parte, a UNESCO discorreu sobre a importância da solidariedade no ambiente escolar. É com a mais grata satisfação que agora, mais uma vez, me é dada a oportunidade de abordar o mesmo tema; porém agora voltado para a educação superior, os estudantes universitários.
Como todos nós sabemos, é apenas por meio do envolvimento ativo e a internalização da cidadania que podemos de fato mudar o Brasil. A decisão de confiar a jovens universitários a possibilidade de dissertar sobre o tema "Solidariedade" merece todo o apoio da UNESCO e da Folha Dirigida, nossa parceira ativa na busca de uma educação de qualidade no Brasil.
A "Solidariedade" caracteriza uma das dimensões mais representativas do ser humano, vincula o indivíduo à vida e aos interesses de um grupo social preocupado com o outro; é a relação de responsabilidade entre pessoas unidas por causas comuns.
Assim, devemos compreender que os desafios por que passam o Brasil exigem a reconstrução da "Solidariedade". O próprio "Manifesto pela Paz", lançado pela UNESCO em 2000, com o objetivo de promover a conscientização e o compromisso individual exalta a sua importância, em seu artigo 6º, "Redescobrir a Solidariedade". Todos podem agir no espírito da cultura de paz dentro do contexto da própria família, do local de trabalho, do bairro, da cidade ou da região, tornando-se um mensageiro da tolerância, da solidariedade e do diálogo.
A escolha do tema também merece nosso apoio porque é, antes de mais nada, a tradução de uma meta que a UNESCO sempre defendeu. Em outras palavras, trata-se da possibilidade de darmos voz aos jovens, muitas vezes tolhidos e deixados em segundo plano no Brasil.
É preciso lembrar que a juventude brasileira representa um contingente expressivo da população brasileira - mais de 35 milhões de cidadãos - que nos próximos anos governarão o país, produzirão bens e serviços e discutirão leis e prioridades nacionais. É, portanto, crucial que escutemos esses jovens e entendamos quais são seus anseios, preocupações e demandas nesse momento.
Os números que atestam a participação da juventude no concurso traduzem a sua vontade de expressar: os 12.930 trabalhos enviados demonstram a preocupação crescente com os problemas sociais provocados por um sistema que provoca a exclusão e a desigualdade.
Assim, é com grande satisfação pessoal que posso dizer que a UNESCO se une aos universitários do Estado do Rio de Janeiro para convidá-los a cultivar a Paz e a Solidariedade, nossos maiores patrimônios humanos. Parabéns a todos.
Muito obrigado.

