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Dia Mundial da Água

Koichiro Matsuura

Paris, 22 de março de 2000

Colocar em ação uma dinâmica que fará deste o século da segurança mundial em matéria de recursos hídricos é o desafio que enfrentamos no momento em que celebramos o Dia Mundial da Água do ano 2000. A água tem sido, durante muito tempo, um assunto menos importante na agenda política, ou seja, vem sendo apresentada apenas em termos de catástrofe, escassez, contaminação, ou como possível fonte de conflitos. Precisamos apresentar uma visão mais construtiva da água, como recurso essencial e compartilhado. Ela deveria ser considerada como prioridade em cada comunidade de uma perspectiva tanto local quanto global. Há uma verdade fundamental que eu gostaria de salientar nesta ocasião: a água não se esgota se for extraída do poço da sabedoria humana.

A UNESCO não só considera a água como uma prioridade dentro do seu programa de ciências como também promove a reflexão sobre o conhecimento tradicional e a gestão da água. Nossa Organização abrigou o processo consultivo em escala mundial que conduziu à redação do relatório A Visão Mundial da Água (World Water Vision), relatório que também fomenta soluções em pequenas escalas, soluções locais aos problemas da água. Todas as pessoas com responsabilidade sobre a água tem de prestar especial atenção ao papel da mulher como gestora primária da água em escala familiar, ao papel da educação e da cultura na atitude frente à água. Sobretudo, é necessário que as questões relativa s à água sejam um catalisador poderoso para projetos de colaboração que envolvam centros de pesquisas nacionais, redes de investigações regionais e internacionais, líderes comunitários, educadores, jovens, organizações intergovernamentais, organizações não-governamentais e outras partes envolvidas.

A pressão imposta pelos problemas relacionados à água cria tal vulnerabilidade nas comunidades que a crise mencionada sempre estará ali. Mas não nos permitamos perder de vista o fato de que a água é a fonte da vida: os problemas reais são usualmente aqueles gerados por respostas políticas, técnicas e sociais inadequadas, como os de distribuição desigual da riqueza e do conhecimento. Não devemos esperar que se produza uma crise da água para remediar esses problemas. Podemos e devemos abordá-los hoje mesmo.

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