Escola Aberta como Caminho para a Redução da Violência
Artigo publicado em 11 de junho de 2003 no jornal A Tarde - Bahia
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* Jorge Werthein O envolvimento dos jovens com a violência no Brasil, seja como agentes ou como vítimas, é motivo de grande preocupação entre pais, educadores e autoridades da área de educação, direitos humanos e segurança pública. Pesquisas que vêm sendo promovidas pela UNESCO no Brasil destacam que a violência relacionada aos jovens oscila durante a semana, aumentando os índices de agressões e criminalidade nos finais de semana. Por outro lado, os jovens clamam por alternativas recreativas e esportivas que lhes permitam expressar sua criatividade e gozar de momentos agradáveis de lazer, sobretudo nos sábados e domingos. Em 2000, a UNESCO no Brasil lançou o programa "Abrindo espaços: educação e cultura para a paz", mais um esforço para o combate à exclusão social e pela construção de uma nova escola para o século XXI. A estratégia do Programa consiste na abertura das escolas nos finais de semana e na disponibilização de espaços alternativos que possam atrair os jovens, colaborando para a construção da cidadania. A idéia é ampliar a voz e dar visibilidade às diversas manifestações juvenis por meio de atividades de lazer, culturais e esportivas. O programa, executado em parceria com as Secretarias de Educação, está em andamento nos Estados da Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco e vem sendo implantado, também, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. A expectativa é que tais programas estaduais, apoiados pela UNESCO, funcionem como um importante aporte na elaboração de políticas públicas voltadas para a juventude. A relevância do programa na Bahia pode ser medida pelos dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, que apontam um crescimento de 74,8% nas ocorrências policiais entre 1999 e 2000. Destaca-se, ainda, que, entre 1996 e 1999, foram registrados 4.215 homicídios. Em 41,8% deles as vítimas se encontravam na faixa etária de 15 a 24 anos. No ano de 2000, dos 666 homicídios ocorridos em Salvador, 276 eram de jovens entre 15 e 24 anos de idade, o que corresponde a 41,44% dos homicídios registrados. Os dados mostram que é preciso dar alternativas aos jovens para que eles possam trocar o risco da violência nas ruas por atividades criativas e produtivas que permitam a sua inclusão social. A abertura de escolas baianas nos finais de semana vem sendo um importante caminho nesse sentido. O programa vem atendendo jovens de 14 a 24 anos com atividades como capoeira, dança, futsal , informática, crochê, teatro, artesanato de bijuterias, bordado, manicure entre outras. Também conta com a participação de crianças e adultos da comunidade, o que vem contribuindo para que a escola torne-se um local de socialização que aproxima estudantes, educadores, pais e moradores. Os participantes vêm na escola aberta a possibilidade de encontrar os amigos, conhecer melhor a escola, observar as atividades que estão sendo desenvolvidas e ter acesso a bens culturais que não estão à sua disposição no cotidiano do ambiente escolar. Em muitas escolas, é freqüente a presença de famílias inteiras, tirando partido de todas as oportunidades possíveis. O Abrindo Espaços conta ainda com parcerias das academias e centros comunitários para desenvolver algumas de suas atividades nas escolas. Segundo os resultados da Avaliação do Programa -em fase de publicação- , os diretores das escolas participantes afirmam que o mesmo tem impactos positivos sobre o relacionamento escola-comunidade ( 82,8%) e contribui para a diminuição da violência na escola ( 74,1%). Na opinião dos beneficiários, o impacto do Programa está em facilitar a relação escola-comunidade (92,4%); oferecer alternativas de lazer ( 91,1%); melhorar a vida pessoal dos participantes ( 88,2%) e colaborar para a redução da situação de violência ( 81,7). Quando perguntados sobre o que mais gostam no "Abrindo Espaços", a opção mais apontada pelos beneficiários é "encontrar amigos e conhecer pessoas" (53,2%), mostrando que a escola, nos finais de semana, é também um espaço de encontro e sociabilidade. Na fala dos entrevistados, aparece também o sentido da valorização social e cultural da condição juvenil, traduzida em mudanças de atitude frente à vida, construídas na medida em que se sentem respeitados. A elevação da auto-estima se dá na exata medida da possibilidade de produzir e partilhar conhecimentos e formas de expressão nos campos da arte, da cultura e do esporte, o que, conseqüentemente, implica no seu auto-reconhecimento como produtores de cultura.
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