|
* Jorge Werthein
O Brasil, a que tantos acusam de fraca memória, conquistou, neste ano, mais um título histórico. Eram oito. Agora, mais um incluiu o centro histórico de São Luís do Maranhão na lista de Patrimônio Cultural da Humanidade. Os casarios coloniais, os sobrados de azulejo, as fontes, as igrejas, os lampeões (hoje elétricos), os paralelepípedos, as calçadas do centro da capital maranhense foram reconhecidos pela UNESCO como patrimônio mundial a ser preservado para todas as gerações.
São poucos os lugares, no Brasil e no mundo, a ingressar no seleto rol do patrimônio mundial. Atenas, Roma, Paris, Florença, Veneza, Istambul, as pirâmides do Egito compõem a lista, assim como, no Brasil, estão os centros históricos de Olinda e Salvador; a cidade de Ouro Preto; o Plano Piloto de Brasília; o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí; o Santuário do Senhor Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas do Campo; o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná; e as ruínas jesuítico-guaranis de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul.
São Luís fez jus ao título. Há quase vinte anos, vem sendo objeto de um programa regular e contínuo de revitalização de seu patrimônio histórico-cultural. Os resultados são visíveis. Uma visita ao centro histórico da cidade encanta qualquer visitante desavisado. É graças a esse esforço de recuperação e revitalização de seu centro histórico que São Luís pôde ser indicada Patrimônio da Humanidade.
A indicação foi, na verdade, resultado de uma soma: o esforço, por parte do Estado do Maranhão, de restauração do patrimônio ao longo de quase vinte anos e, evidentemente, a própria riqueza desse patrimônio. A população de São Luís tem razão de se orgulhar de seu centro histórico que, aliás, permanece centro comercial, institucional e administrativo da cidade. E isso pesa favoravelmente para a conservação dele. O centro histórico de São Luís é a imagem da cidade e do próprio Estado do Maranhão. Preservá-lo é conservar parte da história do Brasil e do mundo.
* Jorge Werthein é representante da UNESCO no Brasil e coordenador do programa UNESCO/Mercosul. |