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A UNESCO e a Imprensa - Educação para a Cidadania:lições de 1996

Artigo publicado na Folha de São Paulo em 07/01/1997.

* Jorge Werthein

A UNESCO recebeu de seus Estados-membros importantes missões. Algumas delas estão diretamente ligadas à comunicação: fomentar a livre circulação de idéias por meio da palavra e da imagem e promover uma difusão mais ampla e equilibrada de todas as formas de informação que contribuem para o progresso das sociedades, sem entraves para a liberdade de expressão, utilizando os meios tradicionais e os novos meios eletrônicos.

Para levar essa missão adiante, uma outra é também indispensável: colaborar com esses Estados, em especial com os países em desenvolvimento e comunidades desfavorecidas do mundo inteiro, a reforçar suas capacidades de comunicação, informação e informática por meio de cooperação internacional.

No período de 1996 a 2001, os programas de trabalho da UNESCO concentram-se nas aplicações das tecnologias nas áreas de competência da organização (educação, ciência, cultura, comunicação, meio ambiente, democracia e paz). Significativo apoio está previsto a iniciativas que visem facilitar o acesso à informação de domínio público.

É nesse contexto que a representação da UNESCO no Brasil apóia atividades de estímulo à leitura, como o projeto LER, da Associação Nacional de Jornalistas (ANJ). Sabemos que há mais de 30 projetos, mantidos por empresas jornalísticas, de incentivo à leitura de periódicos nas escolas brasileiras. Trata-se de iniciativa louvável na medida em que sabemos da importância da formação sócio-político-cultural dos jovens.

Parece indiscutível que atualmente sejam três os principais educadores, da infância à fase adulta: a família, a escola e os meios de comunicação. Muito tem sido dito a respeito dos dois primeiros, mas ainda cabe discutir o papel da mídia na formação de crianças e jovens. Uma vez destinada a um público sempre mais amplo, a responsabilidade dela aumenta. Nesse sentido, a UNESCO apóia também qualquer iniciativa que propicie novas reflexões sobre a atuação dos meios de comunicação junto ao público em geral e ao público infanto-juvenil, em particular.

É imprescindível que a Imprensa, a que atualmente atribui-se um suposto "Quarto Poder", possa atuar livremente, sem qualquer tipo de repressão e com o alcance que lhe for possível, mas sempre dentro de princípios éticos e de cidadania, que levem em consideração o valor da educação e do respeito aos direitos humanos.

* Jorge Werthein, sociólogo argentino, é Representante da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) no Brasil e coordenador do Programa UNESCO-MERCOSUL.

 

 

 

 

 

 

 

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