Koichiro Matsuura*
Hoje, 8 de setembro de 2000, pelo trigésimo ano consecutivo, o mundo celebra o Dia Internacional da Alfabetização. No despertar de um novo século, que conclusões podem ser tiradas da experiência de várias décadas de esforços mobilizadores para promover a alfabetização?
O Fórum Mundial de Educação, realizado em Dakar em abril passado, tinha entre seus objetivos justamente fazer um balanço. A avaliação mais abrangente já realizada na educação básica mostrou que, enquanto se atingiu significativo progresso em alguns países, o analfabetismo sobrevive no século 21, tanto nos países desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento, apesar da extensão do ensino primário.
Milhões de indivíduos - particularmente mulheres - não têm acesso ao direito básico da educação. Há também muitos outros que, como resultado da degradação da posição econômica e social, estão perdendo o controle até dos conceitos básicos que já tinham adquirido e encontram-se diante do analfabetismo funcional. A pobreza e a exclusão são as principais responsáveis por isso. Elas fazem lembrar que o desenvolvimento econômico não assegura necessariamente o desenvolvimento social.
A luta prioritária empreendida pela UNESCO é a educação para todos. A educação é frágil e permanece mal distribuída. A alfabetização é a porta para a educação. Para ser útil e funcional, a alfabetização deve estar diretamente relacionada com a melhora da situação econômica e social.
A década que as Nações Unidas propõem dedicar à alfabetização é um testemunho de que a luta ainda é longa até que essa porta se abra para todos. Nossos esforços no campo da alfabetização, portanto, ainda não terminaram, e provavelmente nunca terminarão, porque a alfabetização, se quiser permanecer como uma ferramenta útil, deve ser mantida ao longo de toda a vida.
A UNESCO coloca a alfabetização no topo de sua lista de prioridades. Somente a mobilização de toda a comunidade internacional poderá fazer face a esse desafio. Gostaria de homenagear, neste dia muito especial, todos aqueles que, dia após dia, dedicam-se, freqüentemente como voluntários e em condições particularmente difíceis, a esse nobre e generoso combate. A UNESCO está e sempre estará ao lado deles.
* Diretor-Geral da UNESCO