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13/03/2008 – Presidente da Comissão de Implantação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)

Instituição pioneira de ensino superior será instalada na Tríplice Fronteira

Especialista em educação, Hélgio Trindade é professor titular de Ciências Políticas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), membro do Conselho Nacional de Educação e vice-presidente do Fórum de Educação Superior e Ciência da UNESCO na América Latina. Foi presidente da Comissão Nacional de Avaliação de Educação Superior e fundador da Associação de Universidades Grupo Montevideo, primeira experiência latino-americana de desenvolvimento da cooperação entre universidades do Mercosul. No dia 18 de janeiro, Trindade assumiu a presidência da Comissão por meio de Portaria do Ministério da Educação.

1) O projeto da UNILA é inédito no panorama da educação superior da América Latina. Qual a vocação da universidade?
O projeto da UNILA é inovador não apenas no contexto brasileiro, mas latino-americano. Não há nenhuma universidade que pertença ao sistema público de educação superior de um país e tenha por objetivo a expansão e a integração do ensino superior de uma região, visando à formação de recursos humanos em prol do desenvolvimento comum. A vocação da UNILA é a integração através de um novo elo substantivo que é o conhecimento, promovendo a cooperação solidária entre os países do continente e, mais do que nunca, baseada em uma cultura de paz. Por outro lado, o projeto retoma a vocação histórica da educação superior pública no Brasil, com a expansão do sistema federal e a diversificação de seu espaço territorial no processo de interiorização, tangenciando as fronteiras com os demais países da América do Sul.

2) O Sr. poderia explicar, em linhas gerais, o projeto da futura universidade?
O projeto prevê a criação da UNILA em Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira brasileira, argentina e paraguaia, um espaço de intercomunicação e convivência trinacional. Queremos formar uma instituição bilíngüe e que seu campus seja um "lócus" de experiência da integração em termos acadêmicos, científicos e culturais. Daí o ante-projeto estabelecer que a metade dos 10 mil alunos e dos 500 professores previstos seja selecionada nos diversos países latino-americanos e a outra metade no Brasil. A UNILA deverá oferecer cursos de graduação, mestrado e doutorado em ciências e humanidades, em áreas de interesse comum para o desenvolvimento da América Latina.
 
3) Qual o papel da Comissão de Implantação no processo de elaboração da UNILA?
Nosso desafio é "desenhar" uma universidade para o século XXI: construir uma instituição que responda de forma inovadora e academicamente competente à integração promovida pela convivência intelectual e interpessoal, através do ensino, da pesquisa e da extensão.
Durante este ano, a Comissão de Implantação da UNILA se reunirá periodicamente para debater e definir as bases curriculares e estruturais nas quais a universidade será criada. Além dos membros que fazem parte da Comissão de Implantação, contaremos com o conhecimento e a experiência de especialistas e intelectuais de destaque no cenário internacional.

4) Como a comunidade latino-americana tem recebido o projeto da UNILA?
A recepção do projeto da UNILA na América Latina está sendo muito promissora. Creio que essa receptividade deve-se à filosofia da nova universidade, fundada na cooperação solidária com as instituições universitárias latino-americanas. Tal fato pôde ser constatado nos últimos três meses, tanto na Reunião dos Reitores da Associação de Universidades Grupo de Montevidéu quanto no VI Congresso Internacional de Educação Superior, em Havana. No Encontro Internacional de Cátedras UNESCO, que reuniu representantes ibero-americanos, em Cáceres, na Espanha, em dezembro de 2007, a UNILA foi recomendada como "um espaço aberto, nos campos curriculares e de pesquisa, para experimentação de temas transdisciplinares inovadores das cátedras ibero-americanas".

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