Escola Aberta - Pernambuco
Também no ano 2000, Pernambuco começou a desenvolver atividades de abertura de escolas nos fins de semana, onde o Programa Abrindo Espaços: Educação e Cultura para a Paz é chamado de Escola Aberta Cultura de Paz e Lazer nas Escolas nos Finais de Semana. O Estado de Pernambuco encontra-se entre as seis Unidades da Federação com menor Índice de Desenvolvimento Humano, além de ter em sua capital uma das zonas metropolitanas mais violentas do país, especialmente para jovens de 15 a 24 anos. Nos finais de semana, esses índices aumentam em torno de 60% e pode-se apontar a falta de alternativas culturais, artísticas, esportivas e de lazer como uma das grandes fontes de descontentamento dos jovens, que os leva a cometer atos violentos.
Assim, a realidade do Estado urgia por programas que abordassem a inclusão social de jovens como forma de se diminuir os níveis de violência, encontrando no Abrindo Espaços uma resposta eficiente a esses problemas.
Nesse contexto, em julho de 2000, constituiu-se o Fórum Pernambucano de Cultura de Paz, contando com a participação de representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de um grande número de organizações não-governamentais. Proposto pela UNESCO, o Fórum lançou o Projeto Escola Aberta.
A partir de agosto daquele ano, 30 unidades escolares da Região Metropolitana do Recife (20 da Rede Estadual e 10 da Rede Municipal de Ensino do Recife) passaram a abrir suas portas nos finais de semana, oferecendo diferentes atividades culturais, esportivas, recreativas e de lazer para a juventude. A cada final de semana, um público médio de 300 pessoas passou por cada escola, totalizando um contingente de aproximadamente 9.000 pessoas.
Em 2001, foi estabelecida a meta de atingir 300 escolas. Calcula-se que um público de 90.000 pessoas era atendido a cada final de semana. Diversas atividades foram desenvolvidas com a juventude local: trabalho de identificação dos grupos juvenis, capacitação, mobilização e apoio às suas demandas. Em 12 de junho de 2001, foi constituído o Comitê Metropolitano do Projeto Escola Aberta (que tem caráter consultivo e se reúne mensalmente), integrado por representantes de 13 Secretarias Municipais de Educação; 4 Diretorias Executivas de Educação; Secretaria Estadual de Educação; UNESCO; e representantes do Escola Aberta.
Não existe um modelo fixo de atividades no Projeto. Cada escola diagrama suas atividades em função de suas necessidades, ofertas locais e expectativas de suas comunidades. Em 2001, foram oferecidas, dentre outras, as seguintes atividades/oficinas: jogos de salão (dominó, xadrez, damas), futebol e outros esportes, capoeira, artes marciais, artesanato, dança, música, teatro, corais, pintura, desenho, aulas de informática, consertos domésticos, costura, bordado, crochê. O trabalho é feito em parcerias com organizações governamentais e não-governamentais, contando com participação de voluntários da própria comunidade.
No que concerne à estratégia operativa do Projeto, além das reuniões de seu Comitê Metropolitano, há também, de forma intercalada com a anterior, encontros de organização e capacitação para todos os coordenadores de escolas, equipes municipais, regionais e central. Cada uma das escolas integrantes do Escola Aberta recebe, mensalmente, uma ajuda de custo para gastos elementares advindos da abertura da unidade escolar nos fins de semana. Além disso, o Projeto oferece remuneração para um Coordenador do Escola Aberta, indicado pela direção da escola - de preferência, alguém da própria comunidade -, e também remunera um grande número de dinamizadores temáticos - com conhecimentos técnicos, normalmente não encontrados nas comunidades, como mestres de canto coral e xadrez - que atuam oferecendo oficinas nas escolas, durante os finais de semana.
Em 2003, o Projeto Escola Aberta redefiniu seu modelo organizacional. A articulação (entre UNESCO, Secretaria Estadual de Educação, 13 Secretarias Municipais de Educação, unidades escolares, ONGs e diversos segmentos sociais) estava exigindo um modelo que contemplasse a diversidade de expectativas, interesse dos atuantes e fortalecimento da qualidade do Projeto.
A estrutura organizativa atual compreende: Equipe técnica (Coordenação executiva, Departamento administrativo-financeiro, Coordenadores temáticos, Supervisores pedagógicos, Assessoria de Imprensa); Equipe de apoio (Comitê Metropolitano e parceiros); e Equipes nas escolas (Coordenadores, Dinamizadores e Voluntários).
Atualmente, o Projeto conta com a participação de 400 escolas, nos 14 municípios da Região Metropolitana do Recife e em 05 municípios do interior do Estado, pertencentes à rede estadual de ensino e às redes municipais de ensino, beneficiando aproximadamente 480.000 pessoas por mês. Além das escolas, o modelo do Projeto também foi utilizado para abrir oito quartéis da Polícia Militar, numa parceria UNESCO/Polícia Militar, a partir de agosto de 2003, possibilitando a ampliação do Projeto para além do universo escolar via comunidade. Com o objetivo basilar de resgatar a cultura popular local junto ao grupo de jovens beneficiados, desenvolvem-se oficinas de danças populares, circo, teatro humano e de bonecos, capoeira e oficinas de reforço escolar em Português e em Matemática, com metodologia baseada na obra de Luiz Gonzaga, além de algumas inovações, como oficinas de origami e foto em lata.
O Projeto oferece também oficinas de jornais comunitários que abordam os mais variados temas relativos à comunidade, à escola e ao Escola Aberta. Os jovens aprendem técnicas de jornalismo com estudantes universitários. Os principais focos de interesse dos alunos são as enquetes, entrevistas "pingue-pongue", sobretudo com diretores, professores e lideranças locais, e matérias de cunho social que retratam suas escolas.
Na área de esportes, o objetivo é resgatar os jogos de rua e estimular os jogos cooperativos. Como resultado dos trabalhos formados nas oficinas das escolas abertas (capital cultural e esportivo), realiza-se o Circuito Cultural de Rua, oportunidade em que o Projeto leva diversos grupos das escolas para um dia de atividades culturais e esportivas nas comunidades (sobretudo, em praças públicas) e, ainda, facilita-se a formação de uma grande rede cultural-esportiva de apresentação dos grupos das escolas abertas entre si - o Circuito Interescolar. Também foram realizados os Festivais de Teatro, Dança e Música Afro e Oficinão de Origami.
Destaca-se, ainda, o Programa de Inclusão Digital, uma parceria entre a UNESCO, a Secretaria de Educação e Cultura, o Grupo Associados Pernambuco (Diário de Pernambuco) e a Interdata - rede de cursos de informática local, que integra 100 escolas da rede estadual, participantes do Projeto, com oferecimento de Internet gratuita para a comunidade e curso básico de computação (microinformática, Word, Excel, PowerPoint e Internet), abrangendo 1.300 computadores, 6.000 beneficiários dos cursos presenciais e 500.000 acessos gratuitos de Internet até o final do ano. Como resultado do processo de inclusão digital, está sendo oferecido à comunidade o Portal de Serviços ABC Digital (www.abcdigital.org.br), com indicação de sites educativos e de serviços. Em 2004, o site terá um espaço para que cada escola possa incluir sua produção cultural.
Além disso, o Projeto firmou parceria com o CIEE - Centro de Integração Empresa Escola, que oferece 07 cursos de qualificação gratuitos para as comunidades e capacita jovens instrutores indicados pelas próprias escolas. Mais de 150 voluntários já foram treinados pelo CIEE e estão repassando o que aprenderam para mais de 1.100 jovens participantes de 28 escolas do Projeto, através de aulas nos finais de semana. Os cursos são: Organizando seu próprio negócio, Laboratório de Português, Atendimento ao público, Desenvolvendo a criatividade, Dicas para o primeiro emprego, Informação profissional; e Como falar bem em público.
Em parceria com o IPHAN, por intermédio do Museu da Abolição, o Escola Aberta desenvolve a Oficina "Descobrindo Tesouros", nome mais atrativo para o tema da Educação Patrimonial. Com metodologia desenvolvida especialmente para as comunidades do Projeto, são trabalhados assuntos como patrimônio pessoal, familiar, comunitário, além dos princípios de reconhecimento e valorização do patrimônio histórico e imaterial local.
Com o Espaço Ciência, centro de pesquisas ligado à Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, o Escola Aberta firmou parceria para levar às escolas, durante todo o ano, a cada final de semana, o Dia da Ciência, ocasião em que a comunidade pode conhecer de perto um planetário inflável e experimentos científicos. Com essa iniciativa, o Projeto pretende, também, estimular maior interesse dos jovens pelo aprendizado de matérias como física, química e biologia, fazendo uma ponte entre as oficinas do final de semana e as aulas da escola regular.
Desde 2002, o Projeto Escola Aberta organiza o Bloco da Paz. Trata-se de uma grande marcha pela paz nas ruas do Recife na semana do carnaval que reúne escolas convidadas, grupos de percussão, caboclinho e capoeira, além de estar aberto à participação de qualquer folião. Em 2002 o Bloco da Paz levou para as ruas 600 pessoas; em 2003, foram 2000; e em 2004, mais de 3000 pessoas estiveram reunidas para manifestar-se com alegria em favor da paz e não violência.
Segundo avaliação de impacto do Projeto, os diretores das escolas participantes do Escola Aberta desde seu início, em 2000, declararam que houve 100 % de melhora nas unidades de ensino com relação ao interesse da comunidade pela escola, na relação entre professores e alunos, na relação entre os próprios alunos, na diminuição do vandalismo e depredação e nas ofensas pessoais, entre outros tipos de violências. Essas são evidências indiscutíveis do reconhecimento do Projeto no Estado e sua importância para a população em geral.
Pernambuco em Síntese
População: 7.929.154
Número de Jovens: 1.651.309
Início do Programa: 2000
N° de escolas abertas: 400
Média de beneficiários/mês: 480.000
Fontes: IBGE, 2001; UNESCO, 2003 e 2004; Escola Aberta, 2004



