Abrindo Espaços: Educação e Cultura para a Paz - Bahia
Na Bahia, o Programa Abrindo Espaços: Educação e Cultura para a Paz foi iniciado em dezembro de 2001, com 05 escolas envolvidas. Ao final de abril de 2002, mais 13 escolas estavam integradas ao projeto, num total de 18 escolas abertas no final de semana. Progressivamente, novas unidades escolares aderiram, num total de 24 escolas do subúrbio de Salvador até o final de maio de 2003.
Hoje, o Programa funciona com 57 escolas públicas, envolvendo seus alunos e as comunidades vizinhas, abrangendo 42 bairros de Salvador.
O Programa oferece oficinas de cultura, arte, esporte e lazer, relacionadas à construção de uma cultura de paz, as quais têm contribuído para a redução dos índices de violência de populações em situação de vulnerabilidade social. Essas escolas têm se transformado em espaços mais seguros para uma população de aproximadamente 17.000 pessoas (2003).
A Secretaria de Estado da Educação convidou as escolas a participar do Programa a partir de critérios como áreas em condições de vulnerabilidade social, índices de violência, bairros sem espaços públicos de lazer, experiências anteriores de atividades com a comunidade e receptividade da direção para implantação do Programa. Os recursos previstos no acordo de cooperação entre UNESCO e Secretaria de Educação asseguram a infra-estrutura necessária à execução das atividades nas 57 escolas. Outras tantas estão solicitando a integração ao Programa.
A estrutura organizacional do Abrindo Espaços resulta da articulação entre atores sociais da escola e da comunidade, coordenados por uma equipe da UNESCO e da Secretaria de Estado da Educação. A equipe executora, indicada pelos diretores, é implantada em cada escola, sendo constituída de 01 supervisor, da própria escola, responsável pelo equipamento escolar disponível para as atividades; 01 coordenador, representante da comunidade, que mobiliza a população e identifica os talentos e as demandas das oficinas; 02 jovens colaboradores, um da escola e um do bairro para mobilizarem os jovens das escolas e comunidades; e 01 assistente para apoio, que assegura as condições materiais de infra-estrutura para os finais de semana e o reinício das aulas da semana.
As equipes de coordenação e execução planejam as atividades durante a semana e acompanham a execução nos finais de semana em funções específicas. Oficineiros voluntários participam do planejamento, considerando a disponibilidade de tempo e a especificidade de suas metodologias de trabalho. Todos os atores envolvidos - direção, coordenação, executores, oficineiros e beneficiários - participam de capacitações em diferentes formatos. Uma importante estratégia de fortalecimento das oficinas que se diversificam é a participação de parceiros diversos, como a Rede de Protagonismo Juvenil, o Centro de Voluntários da Bahia (CVB), a Fundação Luís Eduardo Magalhães, o Canal Futura, universidades (o Programa se tornou uma referência para universitários voluntários desenvolverem suas práticas educacionais e artísticas) e outras instituições. Há parcerias também com comerciantes locais, principalmente do entorno das escolas, com doação de material básico para as oficinas.
Oitocentos oficineiros voluntários já foram mobilizados, realizando 1.385 oficinas, com destaque para as oficinas itinerantes e de intercâmbio que divulgam o Programa e dão visibilidade aos artistas locais, com oficinas realizadas em palcos privilegiados da cidade, parques e shoppings. As oficinas esportivas têm maior demanda, em particular a capoeira. Também se destacam a dança e o movimento hip hop com maior concentração de jovens, integrando as práticas de grafite, skate, break, street dance, entre outras.
O Programa tem um processo permanente de acompanhamento, por meio de instrumentos elaborados pela equipe de coordenação na Bahia, aplicados pela equipe de execução nas escolas. Avaliações também são parte integrante do Programa, como a realizada pela equipe de pesquisadores da UNESCO e UNIRIO (Universidade do Rio de Janeiro).
Atualmente, o acordo de cooperação entre UNESCO e a Secretaria de Educação encontra-se em fase de re-discussão e re-estruturação. A expectativa é que o Programa Abrindo Espaços se expanda para toda a rede de ensino público estadual e municipal. Para o município de Salvador, espera-se a abertura de mais 60 escolas.
O Programa Abrindo Espaços: Educação e Cultura para a Paz na Bahia tem internalizado um novo conceito de escola e lazer. Os resultados são dois anos e cinco meses de escolas abertas ininterruptamente nos finais de semana, sem nenhum registro de depredações, pichações, roubos ou conflitos na convivência entre as pessoas nos finais de semana das escolas envolvidas. Diretores e professores apresentam relatórios e depoimentos com aumento de freqüência e motivação nas aulas, o que nos demonstra a eficácia do trabalho desenvolvido pelo Programa.
Bahia em Síntese
População: 13.085.769
Número de Jovens: 2.902.075
Início do Programa: 2001
N° de escolas abertas: 57
Público participante: 50.000
Fontes: IBGE, 2001; UNESCO, 2003 e 2004; Abrindo Espaços, 2004.




